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Só um anglófobo poderá louvar o reinado de Isabel II

  1. Como se deve julgar um reinado, um regime político, um governo?). Em 1.º lugar, devemos sempre, dentro do possível, não ser demasiado severos, porque todos nós também falhamos (e então se estivéssemos no lugar desses políticos…). Em 2.º lugar, sermos honestos e não facciosos, embora possamos e devamos “tomar partido”. E em 3.º lugar, é indispensável que (para fazermos um juízo digno desse nome) tenhamos estudado História (nacional e universal) com a profundidade suficiente para podermos comparar objectivamente, aquilo que analisamos agora, com uma quantidade de regimes, governos e reinados do passado.

  2. Os portugueses de hoje, são maioritariamente anglófilos). Ou pensam sê-lo. E são como aquelas mães ou avós que gostam tanto dos filhos ou netos, que não suportam que eles sejam como são; e tudo tentam para que eles sejam como imaginam e desejam que eles sejam (basicamente à imagem das mães e avós…). Hoje, em prejuízo do francês, a 2.ª língua que os que estudaram têm, é o inglês (tão útil por causa do “linguarejar” da eletrónica e seu mar de neologismos). Outro motivo para a nossa actual anglofilia é a confusão que muita gente inculta faz entre a América e a Grã-Bretanha: esta última seria uma espécie de 52.º estado norte-americano; e qualquer exotismo ou maluquice maioritariamente adoptados em New York ou no sul da Califórnia, seria inadmissível ser rejeitado no mais rústico condado da “velha Albion”…

  3. A velha Aliança, o turismo algarvio, a recente emigração lusa para solo inglês). Estes são 3 factores que deveriam fortalecer a tal actual anglofilia que se apossou dos portugueses. Mas, às vezes funciona ao contrário. Conheço muitos algarvios que não aturam o “hooliganismo” ou a distância social (e nacional) que os turistas britânicos impõem no Algarve. Quanto à Aliança (séc. XIV), Londres tem-se servido dela, algumas vezes apenas em seu proveito (daí que, durante o Salazarismo e antes, os nossos sectores democráticos, incluindo a Maçonaria, já eram mais “francófilos” que “anglo-americanófilos”…). Para compensar supostas decepções (com os britânicos) que o “mar de lusos” que hoje vive na Grã-Bretanha possa sentir, aí está o Wolverhampton Wanderers, que joga com mais lusos que aqueles que jogam às vezes no Porto ou no Benfica…

  4. Comparando Isabel II com Victoria e com Isabel I). É fácil a comparação, e em grande desfavor da actual monarca. Isabel I, “ the virgin queen” (que reinou de 1558 a 1603 e em memória da qual os 2 estados americanos de Virginia e West Vª. têm o nome) foi com seu pai Henrique VIII, quem lançou os fundamentos do poderio nacional, marítimo e imperial do povo britânico. Victoria “herdou” e (de que maneira fomentou!) o impulso imperial do seu povo. Ao ponto de, quando morreu (em 1901), a Grã-Bretanha ser senhora de 1/6 da área das terras emersas do planeta. Viúva, logo aos 41 anos, do seu querido primo alemão Alberto, sofreu e sobreviveu a 7 atentados (o último em 1882) e controlou vários 1.º ministros. Gostava muito pouco do seu filho “bon vivant” e devasso (mas alta figura maçónica), o futuro Eduardo VII. O qual, logo que subiu ao poder aliou Londres à França republicana e maçónica, com as consequências trágicas de causar a 1.ª Guerra Mundial. Victoria reinou pelo período “recorde” de 64 anos (de 1837 a 1901); e talvez ficasse bem a uma rainha tão apagada e formal como Isabel II, ter abdicado “no dia anterior” em que esse “recorde” de sua trisavó foi por si batido. É que Isabel II já vai com 95 anos de vida e 70 de reinado… Costuma-se referir Victoria como “rainha”; contudo ela foi bem mais que isso, foi “imperatriz” no sentido mais objectivo da palavra.

  5. Isabel II, a rainha que desfez o Império). Isabel II, em 6-2-1952, tornou-se rainha (“imperatriz”). Porém, foi ela que assinou obedientemente a desmontagem e descolonização de todas as principais peças do Império. É claro que o domínio britânico na Índia e Paquistão era um disparate (que contudo custara muito sangue). Porém, hoje já muitos voltam a defender que nunca deveriam ter deixado perder os territórios da África do Sul e antiga Rhodesia do Sul (Zimbábue); e da despovoada Namíbia (todos eles com enormes colónias de euro-descendentes, alguns ainda hoje).

  6. Os fracos reis tornam fraca a forte gente”…). Evidência disto é, p. ex., a enorme quantidade de hindustânicos no governo do festivo e inefável israelita Boris Johnson (de Priti Patel a Sajed Javid); e o “mayor “ de toda Londres ser o senhor Khan. O fim do Império trouxe uma inesperada (e impensável) “colonização ao contrário”. E a educadíssima senhora preside a tudo isto com uma bolorenta “pseudo-fleugma” britânica. A qual é uma ficção que já Eça de Queirós desmentia, referindo-se aos ingleses como “povo de sangue quente”. Que agora até ajoelham no início dos jogos de futebol (todos…), como na Missa perante Deus… É o corrosivo poder das Sociedades Secretas que, tal como os 2 alfaiates do conto “O Imperador” (de H. C. Andersen) transformam a mentira em verdade; até que apareça um jovem que denuncie que “o rei vai nu”.

  7. E Carlos ali, eternamente à espera…). Se as Monarquias defendessem que, pessoas decadentes, com 95 anos, têm direito a “reger” (a palavra”rex”, rei, vem do latim “regere”, mandar), todos seríamos era republicanos. Se não quer abdicar (como foi em Espanha ou no Japão), ao menos que autorize a Regência, por parte de seu bem capaz filho Carlos…


Autor: Eduardo Tomás Alves
DM

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22 fevereiro 2022