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Sentir para entender

Há momentos no futebol que as palavras não conseguem explicar. O futebol é um desporto de emoções, por vezes demasiado fortes, e por isso é tão apaixonante.

É preciso sentir para entender momentos como os que se viveram em Braga, aquando da obtenção do golo do triunfo no dérbi, quando já poucos acreditavam, porque quem não sente, não entende certamente.

Esta jornada foi altura de a Pedreira receber o maior e mais apaixonante dérbi do país, com a visita do Vitória SC ao SC Braga. O jogo teve de tudo no seu guião, mas o momento do jogo foi mesmo o da obtenção do golo, que levou à loucura os braguistas, que estiveram em grande número e a resignar os adeptos visitantes.

A preparação do jogo foi de sentimentos díspares, com a euforia a reinar em Braga e a apreensão, misturada com receio de um resultado volumoso, do outro. Aos adeptos dos dois clubes eu fui dizendo que este é um jogo especial, em que o contexto pouco ou nada vale quando se inicia a partida. O tempo confirmou aquilo que eu previa, num jogo que terminou com um vencedor justo, encontrado em horas extraordinárias.

Afinal, os receios dos vitorianos mais pessimistas não tinham razão de ser e as dificuldades encontradas são uma aprendizagem para que os brácaros mantenham a humildade, que é característica dos melhores.

O dérbi teve de tudo, desde um árbitro fraco, que estava pronto para mostrar o primeiro cartão amarelo, mas, que se acovardava quando era preciso mostrar o segundo cartão ao mesmo jogador. Um lance que merece reparo especial é o penálti reclamado pelos arsenalistas bem cedo, quando uma bola saída dos pés de Ricardo Horta foi travada pelo braço de um jogador vimaranense, algo que escapa a compreensão do comum cidadão se for feita a comparação com o lance que deu a vitória ao Benfica e que revoltou os vizelenses na Luz, pois a bola chega ao braço vizelense num ressalto depois de lhe ter batido nas costas.

A este propósito, não posso deixar de referir a análise do ex-árbitro Marco Ferreira num jornal desportivo diário, onde validou as duas decisões, cujas razões aduzidas roçam a desonestidade intelectual. Voltemos ao encontro para dizer que a mensagem de aumentar o tempo útil de jogo é para concretizar e que os últimos minutos também devem ser jogados, como se entendeu em alguns jogos desta jornada, onde este se inclui.

O futebol tem de evoluir a vários níveis e o tempo útil de jogo, em média, tem de subir claramente, de modo a tornar o espetáculo mais rentável.

Uma nota muito positiva para a excelência do trabalho realizado pelos elementos afetos às claques bracarenses, que correu o mundo, de forma justa. Os meus parabéns aos autores deste trabalho, que mostra o lado positivo das claques.

Uma nota muito negativa para os comportamentos desviantes que se traduziram em carros danificados, de modo indiscriminado. O futebol não é isto e estes comportamentos só devem merecer a reprovação geral.

Ainda neste lado mais negativo fica aqui a minha sugestão, já colocada em prática em alguns casos, para que os elementos que fiquem impedidos de ir aos estádios sejam obrigados a apresentar-se na polícia na altura em que as respetivas equipas joguem, em vez de ficarem livres para fazer asneiras ou, no limite do absurdo, assistirem ao jogo num camarote qualquer.


Autor: António Costa
DM

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8 setembro 2022