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Saúde em tempos de cólera

Os dias amanhecem em permanente sobressalto e as outrora noites de céus estrelados são agora pintadas de vermelho, acompanhadas de clarões avassaladores.

As sirenes ecoam sons arrepiantes.

Pessoas, de todas as idades, procuram refúgio, procuram ajuda… procuram preservar o maior valor de todos, a vida.

Em pleno século XXI, quando tal já não se imaginaria possível, entram-nos pela janela informativa imagens, próximas e reais, de uma guerra brutal, cruel e tão injustificável como as demais….

Na Ucrânia, com o alastrar do conflito, avolumam-se, diariamente, enormes listas de problemas que necessitam de urgente resolução.

Um drama humano espelhado num, já considerável, número de danos em infraestruturas, em dificuldades no acesso a água potável e bens de primeira necessidade, de acesso a cuidados de saúde básicos e de um infindável número de outros “des”.

É ainda crescente a preocupação com a transmissão de doenças, com o agravamento de patologias preexistentes e com as inevitáveis consequências na saúde mental das pessoas.

Com o acontecer de uma guerra aqui tão perto, multiplicam-se as iniciativas de solidariedade e ajuda ao povo ucraniano, seja através do seu acolhimento, seja através de ofertas de emprego ou do envio de donativos.

Comportamentos altruístas, transversais a toda a sociedade, que enobrecem e engrandecem os seus actores, permitindo aumentar consideravelmente a capacidade de resposta no terreno.

Ademais, no mais concertado esforço possível, organizações não governamentais (ONG´s) e de outras índoles, desdobram-se com o desígnio de proteger a vida e a dignidade das vítimas deste conflito armado, prestando-lhes assistência, tentando garantir a protecção de um direito básico: o do acesso aos serviços de saúde.

Lá, como nos países limítrofes que receberam de braços abertos os milhões de refugiados, profissionais de saúde trabalham, incessantemente, com a real e concreta ameaça de violentos e vis ataques, num clima de absoluta insegurança e escassez.

Sincero e profundo elogio a todos aqueles que, nestas condições aterradoras, continuam a apresentar-se, na linha da frente, em cada um dos seus serviços e a garantir que os absolutamente imprescindíveis cuidados de saúde estão a ser prestados.

Sopram, assim, fortes os ventos de incerteza, de ameaças várias, que devastam os sonhos e ambições de gerações presentes e futuras.

No entanto, e de forma diametralmente aposta, todo o somatório de reacções e comportamentos verdadeira e genuinamente solidários, permite vislumbrar o erguer de uma renovada esperança de que novos e melhores dias certamente virão. Dias de uma Saúde em tempos de paz!


Autor: Mário Peixoto
DM

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19 março 2022