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Saiba mais sobre Cirurgia Ambulatória

A Cirurgia Ambulatória é um regime cirúrgico em que o doente é admitido, operado e tem alta para o domicílio no mesmo dia. Em Portugal, o conceito de Cirurgia Ambulatória inclui a possibilidade do doente pernoitar a primeira noite na unidade onde foi intervencionado, tendo alta num período inferior a 24h após a admissão.

Não se confunda este conceito com o de pequena cirurgia, realizada com anestesia local, fora do bloco operatório (habitualmente num consultório ou gabinete de consulta), sem apoio de anestesiologista em que se tratam cirurgicamente pequenas lesões superficiais da pele e tecidos subcutâneos.

A Cirurgia Ambulatória, como modelo cirúrgico, surgiu no início do século XX, no Reino Unido, quando um cirurgião pediátrico, chamado James Nicoll, publicou um artigo científico que relatava uma série de cerca de 9000 crianças operadas sem internamento hospitalar, sem que se tivesse verificado um aumento nas taxas de complicações associadas.

Foi apenas nas décadas de 1960 e 1970 que este modelo cirúrgico sofreu uma forte expansão na América do Norte, Reino Unido e países nórdicos, impulsionado pelos benefícios económicos que gerava, ao mesmo tempo que permitia um combate muito eficaz às crescentes listas de espera cirúrgicas.

Em Portugal, foi apenas nas décadas de 1990 e 2000 que surgiram as primeiras Unidades de Cirurgia Ambulatória (UCA). Em 2006, foi criada a Comissão Nacional para o Desenvolvimento da Cirurgia de Ambulatório (CNADCA), que em 2008 apresentou um Relatório onde eram enumeradas uma série de medidas a adotar, para que em cada Hospital do SNS fosse criada uma UCA.

A Cirurgia Ambulatória é um modelo cirúrgico centrado no paciente, que tem regras muito claras e bem definidas que visam sobretudo a segurança, mas também o conforto e a satisfação. Quando um doente é proposto para Cirurgia Ambulatória há uma série de critérios de seleção que têm que ser verificados e que vão desde a natureza do procedimento cirúrgico, às características clínicas do doente e ao contexto social em que vive. Para Cirurgia Ambulatória, só são aceites doentes que têm um cuidador adulto disponível para ajudar o doente em casa nas primeiras 24h de pós-operatório e que não residem a mais de 60 minutos do hospital.

A equipa multidisciplinar que compõe as UCA (Cirurgiões, Anestesistas, Enfermeiros, Assistentes Técnicos e Operacionais) tem sempre como missão transmitir ao doente e ao seu cuidador, de forma verbal e escrita, antes e depois da cirurgia, toda a informação necessária a uma boa preparação e recuperação clínica. Junto com todas as instruções e ensinos, é entregue a todos os doentes um contacto telefónico da UCA ou de um dos elementos da equipa, disponível 24h por dia para que o doente possa ligar em caso de dúvida ou preocupação.

Todos os doentes, mesmo os que não necessitaram de recorrer a esse apoio, recebem, no dia útil seguinte à cirurgia, um telefonema de um enfermeiro da UCA, que pretende avaliar globalmente o seu estado geral e esclarecer alguma dúvida que ainda persista. Sempre que algum sinal de alerta é detetado, o cirurgião responsável é contactado e decide a melhor medida a tomar.

Nenhum doente terá Alta do hospital sem cumprir os rigorosos Critérios de Alta Hospitalar, definidos internacionalmente pelas principais Sociedades Médicas com responsabilidades na Área.

As principais vantagens da Cirurgia Ambulatória passam pela redução da incidência de infeções adquiridas em meio hospitalar e menor risco de algumas complicações, como tromboses e embolias. Para além disso, também é menor o risco de disfunção cognitiva pós-operatória (muito comum na população idosa). Para todos, mas sobretudo para as crianças, o rápido regresso ao ambiente familiar, permite também uma redução muito considerável da ansiedade e stress.


Autor: Vicente Vieira
DM

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4 janeiro 2019