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S. João de Braga

E o programa das Festas, variado e rico, atrai a curiosidade de locais e forasteiros: cortejos e desfiles, o Carro do Rei David, das ervas e dos pastores, a procissão Sanjoanina, o maior cortejo folclórico do país, o festival dos Cavaquinhos, o encontro monumental de Gigantones e Cabeçudos, as cascatas, as rusgas, os cantares ao desafio e a maior concentração de bandas de música internacional; e, para além de exposições, concursos, cantares ao desafio e festival de pirotecnia.

Assim, o S. João de Braga é, sem dúvida, a maior festa popular de Portugal; e a mais antiga, pois já desde o século XVII há relatos destas festividades minhotas, onde marcam presença ativa o associativismo e as tradições locais. Festa que sempre inspira escritores, pintores e poetas.

E eu, embora modesto servo de musas, quando a festa sai à rua sinto uma enorme vontade de versejar, não fora a festa propícia a jogos florais e concursos de quadras. Então, aí vai:

 

E repenica, repenica, repenica

Tanta gente a suar em bica

E repapoila, repapoila, repapoila

P’ra meter a mão na caçoila.

 

Ó mau S. João da Ponte

Porque a festa é toda tua,

Já que és santo popular

Vem com o povo p’rá rua.

 

Traz o manjerico e o alho

Coisas que o povo trocou

P’lo cravo que dos maus tratos

Há muito tempo murchou

 

Tua festa tem encanto,

Quando ao redor da fogueira

Ao povo sobra a folia

Foliando a noite inteira.

 

O futuro vem chegando

À cidade devagar

Com novidades e eventos,

Coisas raras, de pasmar,

É o caso da Noite Branca

Cada vez mais genial,

À noite dando o contraste

Da sua cor natural.

E o povo gosta, responde

Vem de longe p’ró festim

Que este mundo são dois dias

E este vai quase no fim.

E o Rali de Portugal

Foi a maior novidade

Com motores a bufar

Pelas ruas da cidade.

O Picoto anda em bolandas

A mudar o seu visual

Será que vai agradar

E ao povo dar cabedal?

Desse parque natural

Vai constar imensa tralha

P’ra dar forma e formusura

Ao físico da muralha.

Homens, mulheres e crianças

Vão ter entretenimento

E até os cães vão poder

Ali treinar seu talento.

Mas pena é que na cidade

Falte a estes animais

Lugar onde se aliviem

De apertos intestinais.

 

E o Parque das Sete Fontes

Que tanto custa a arrancar

Não passa de um pulmão gasto

Incapaz de respirar.

 

Mas agora, meu Santinho,

Já houve a nomeação

Do grupo que vai traçar

O Plano de Execução.

 

Lá na via pedonal

Anda gente azafamada

Pois é esticando o presunto

Que se perde a pneuzada.

 

Porém é pena que o rio

Às vezes mude de cor

E quem por lá vai marchando

Respire tanto fedor.

 

Os amores da  Avenida

Portaram-se muito mal

Drasticamente caindo

Numa modorra fatal.

 

De perfeitos que eles são

Tão imperfeitos ficaram

Que os canteiros nunca mais

Ao seu normal regressaram.

 

Dizem por aí as más-línguas

Que toda esta operação

Tem sua origem montada

Num golpe da Oposição.

Mas a coisa mais estranha

Que nos dá cabo da pinha

É na Avenida Central

Das pirâmides vizinha.

 

É uma coisa tecnológica

Chamada de árvore solar

Que não dá flores, nem frutos

Nem sombra para descansar.

 

Vem dar vida aos telemóveis,

Internet e coisas tais.

Descobertas espantosas,

Coisas novas abissais.

 

Aqui-dél-rei, abrenúncio,

Grita o povo incréu e duro,

Mas serão estas as árvores

Das cidades do futuro?

 

Na cidade sempre em festa,

S. João, o povo gosta,

A Coligação tem tido

A sua maior aposta.

 

Mas se o PS local

Está frouxo e sem barões

Tem derrota garantida

Nas próximas eleições.

 

A não ser que certa esquerda

Fabrique uma geringonça,

Dê luta à Coligação,

Faça da malta palonça.

 

Por isso, não é preciso,

Se a coisa é tão evidente,

Entre Desporto e Cultura

Um despique permanente.

 

É que as duas replicantes,

Edis fortes como são,

Não precisam de pugnar

Tanto pela afirmação.

 

Se a união faz a força

Fazer o contrário, não,

É como remar p’ra trás

Ou à força do empurrão.

 

S. João, se estes meus versos

Pouco dizem na verdade,

Desculpa a falta de jeito

Mas são de boa vontade.

 

E se ao redor da fogueira

Agora só cinza tem,

Adeus, S. João de Braga,

Até ao ano que vem.

Então, boas festanças e até de hoje a oito.

 

Autor: Dinis Salgado
DM

DM

21 junho 2017