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Renovar com o Sínodo - O desafio da parte espiritual (6)

A Jornada Mundial da Juventude vai fazendo o seu caminho. Não acontecerá; já está a acontecer. Sente-se, de facto, um novo ritmo no ar. Os jovens e as comunidades paroquiais têm sido alertadas e interpeladas pelos Símbolos que as acompanham, e o acolhimento tem excedido as expectativas. Braga esta a ter esta graça, e é de esperar que se prepare para a acolher, mas, principalmente, para despertar aqueles que poderão estar adormecidos ou sonolentos. É hora de acordar e de colocar um dinamismo novo em movimento. Contudo, parece que há movimentos e associações que ainda não se motivaram interiormente, permitindo que este acontecimento lhes passe ao lado. Talvez venham a acordar mais tarde, mas esta atitude poderá vir a ser fatal. Na verdade, ninguém deve ficar alheio a este momento. O evento é importante, mas a experiência terá de entrar naquilo que a deve caracterizar verdadeiramente. Tenho vindo a referir que a vertente exterior será custosa e que irá trazer muitos trabalhos que não poderão ser contabilizados. Por isso, tudo deverá partir de dentro. Sabemos que o tema escolhido nasce da atitude de Maria que, ao acolher o Seu Filho no seio, corre apressadamente ao encontro de Isabel para, juntas, poderem saborear a experiência milagrosa do nascimento de dois filhos. Seus corações ficaram cheios e a necessidade de se ajudarem mutuamente veio depois. A ideia de correr e partir para uma ajuda foi absolutamente necessária, mas, primeiro, esteve a alegria do encontro com o divino. Ambas se tornaram intérpretes deste dever de trazer algo de novo ao mundo, que se dispersava em cultos, muitas vezes desprovidos de sentido. Nelas, o anúncio de um mundo novo, a partir de Cristo, aconteceu. E agora, o que acontecerá na Jornada Mundial da Juventude? Teremos uma multidão a gritar o nome de Cristo e a entoar canções que apontam para valores evangélicos, mas que, passados alguns dias ou meses, estarão condenadas ao esquecimento? Desejamos que isto não aconteça, pois este é um risco que não poderemos correr. Recordo uma experiência da minha meninice. Não tive oportunidade de participar nele pessoalmente, mas conheço pessoas marcadas por este evento. Refiro-me à inauguração do Monumento Nacional a Cristo Rei, em Almada. Sabia-se o significado que encerrava e os trabalhos que havia exigido à nação católica portuguesa. Todos deram um pouco do que era seu para que emergisse um sinal visível, revelador de uma fé e confiança em Deus. A inauguração era solene, mas seria necessário um momento específico para os jovens, cuja presença era imprescindível. Não sei quantos estiveram presentes; apenas sei que partiram de todo o país, chamados por um slogan que os motivou e que, quem sabe, estará ainda a influenciar atitudes e comportamentos. Dizia-se com toda a clareza: "Os jovens escolhem Deus". Um slogan bonito e exigente, mas, essencialmente, com uma proposta inequívoca. É de esperar que esta Jornada lance aos jovens o mesmo desafio que Jesus lançou ao jovem rico do Evangelho e que faça com que Ele ofereça aos milhões de jovens o mesmo olhar, expressão de um amor grande. Naquele momento, o jovem retirou-se triste, mas, mais tarde, talvez a sua vida se tenha tornada mais próxima de Cristo e aquele gesto o tenha levado a ser "um dos Seus". Não ignoramos que a juventude vai procurando caminhos afastados das metas propostas pelo peregrino da Galileia. Muitos já nem sequer pretendem ver na Igreja um caminho que valha a pena seguir e vivem como se Cristo não existisse, afirmando: a Igreja “não me diz nada". Temos conhecimento de todas estas sensibilidades. Por isso, não nos deixemos envolver em sonhos desprovidos de conteúdo, pois ninguém nos desculpará se não formos clarividentes, afirmando aos jovens que Ele vive e quer que eles vivam também. Contudo, se Igreja pretende efetivamente estar com jovens do mundo inteiro, não lhes deverá impor Cristo, mas não pode demitir-se de lhes fazer uma proposta, mesmo sabendo que esta poderá não ser aceite. Tudo deverá fazer para lhes oferecer experiências jovens e motivadoras. Importa, porém, que esta proposta se fundamente em Cristo. Assim, julgo pertinente servir-me das palavras dirigidas pelo Papa aos jovens do mundo inteiro na Exortação Apostólica “Christus Vivit: " Para lá de qualquer circunstância, a todos os jovens quero anunciar agora o mais importante, o principal, aquilo que nunca se deveria calar. É um anúncio que inclui três grandes verdades que todos precisamos de escutar sempre, uma e outra vez. São elas: " Deus ama-te"; "Vós fostes redimidos pelo sangue de Cristo "; e "Ele vive.” Que esta caminhada com o os jovens os coloque também na responsabilidade sinodal.
Autor: D. Jorge Ortiga
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4 fevereiro 2023