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Recuperar a dimensão missionária

1. Por vontade do Papa Francisco o mês de outubro que se aproxima deve ser um mês missionário extraordinário. É uma forma de comemorar o centenário da promulgação, em 30 de novembro de 1919, da Carta apostólica Maximum Illud, do Papa Bento XV. «É importante, ainda hoje, escreve o Santo Padre na mensagem para o próximo Dia Mundial das Missões, que se celebra no dia 20, renovar o compromisso missionário da Igreja, potenciar evangelicamente a sua missão de anunciar e levar ao mundo a salvação de Jesus Cristo, morto e ressuscitado».

2. A Igreja é, de sua natureza, missionária. Ser cristão é ser missionário. São para todos as palavras de Jesus recolhidas por S. Mateus no seu Evangelho (28, 19-20): «Ide e fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado».

«Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade», afirma S. Paulo (I a Timóteo, 2, 4). A todos deve ser dado a conhecer o amor de Deus revelado em Jesus Cristo.

«O destino universal da salvação, oferecida por Deus em Jesus Cristo, levou Bento XV a exigir a superação de todo o fechamento nacionalista e etnocêntrico, de toda a mistura do anúncio do Evangelho com os interesses económicos e militares das potências coloniais», lembra o Papa Francisco.

3. É importante ir mundo fora anunciar Jesus a quantos ainda O não conhecem.

Transcrevo da Carta aos Romanos (10, 14-18): «Como hão-de invocar aquele em quem não acreditaram? E como hão-de acreditar naquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, sem alguém que o anuncie? E como hão-de anunciar se não forem enviados?»

Missão implica saída; ir ao encontro de. Para propor e não impor. Anunciar a boa nova da salvação, respeitando a liberdade dos ouvintes, que a podem aceitar ou rejeitar.

O respeito pela liberdade das pessoas não é incompatível com o anúncio da Boa Nova. Só depois de a conhecerem as pessoas usam da liberdade de a aceitarem ou não.

Em princípio não se rejeita uma coisa que se não conhece. «Vem e verás», disse Filipe a Natanael (João 1, 45). Vê. Depois, decide.

4. O anúncio de Jesus a terras longínquas não deve ser motivo para que O não dêmos a conhecer aos de ao pé da porta. Suponho não exagerar se disser que também Braga é terra de missão. Também aqui há quem não conheça Jesus ou dele tenha uma visão deformada, quem sabe se provocada por uma forma incorreta de viver o cristianismo. Responsabiliza-nos o Vaticano II, ao afirmar no número 19 de Gaudium et Spes: «Os crentes podem ter tido parte não pequena na génese do ateísmo, na medida em que, pela negligência na educação da sua fé, ou por exposições falaciosas da doutrina, ou ainda pelas deficiências da sua vida religiosa, moral e social, se pode dizer que antes esconderam do que revelaram o autêntico rosto de Deus e da religião».

5. Afirma D. Manuel Lindana mensagem que, na qualidade de Presidente da Comissão Episcopal das Missões e Nova Evangelização, escreveu para o Dia Mundial das Missões: «Sabemos bem que as atuais fronteiras da missão já não coincidem com as de antigamente. Hoje, a missão é dentro e é fora: no lugar onde habitamos, ao nosso lado, na nossa família, há, de certeza, pessoas necessitadas do anúncio do amor misericordioso de Deus. Entretanto, que esta urgência não nos faça esquecer que há muitas gentes e muitos povos que carecem de um primeiro anúncio da verdade da fé, acompanhado pelas obras que o credibilizam».

Recordando o passado de Portugal como um grande país missionário afirma vivermos na altura própria de recuperar a dimensão missionária. «É altura de tomarmos consciência de que o ‘envio’ é consequência lógica do batismo», escreve.


Autor: Silva Araújo
DM

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26 setembro 2019