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Recordando o Bernardo

1. Bernardo de Vasconcelos, de quem falei a semana passada, foi um dinamizador da juventude académica sua contemporânea, um corajoso lutador pelos ideais cristãos e um dedicado servidor dos mais pobres.

Vivemos hoje momentos algo semelhantes aos daquele tempo. Também um laicismo mal entendido pretende construir uma sociedade sem Deus e contra Deus. Também hoje é cada vez mais necessário quem saiba repartir, indo em auxílio dos mais necessitados, alguns dos quais têm vergonha de dar a conhecer dificuldades e carências com que se debatem.

2. Repetidas vezes se tem dito, e é verdade, que na base da crise social com que nos defrontamos está a crise de valores. O egoísmo e o consumismo têm ditado as suas leis. A campanha anticristã tem imposto o paganismo do salve-se quem puder, e o resultado está à vista. E para conseguir essa prejudicial destruição de valores tem-se investido, declarada ou disfarçadamente, na destruição da família, que, em muitos casos, deixou de ser a primeira catequese e a primeira grande escola de socialização.

3. É mais que urgente que os cristãos se assumam como tal. Sem triunfalismo mas também sem medo. Que atuem como fermento na massa, como sal na comida, como criadores de uma sociedade diferente: mais verdadeira, mais justa, mais fraterna, mais compreensiva, autenticamente tolerante.

Conscientes de que, não sendo do mundo, são chamados a estar no mundo para o transformarem a partir de dentro, os cristãos não devem isolar-se nem viver à margem das realidades terrenas. O associativismo, o sindicalismo, a política, o desporto, o lazer e os outros setores da vida humana são campo aberto à atividade dos cristãos, para nele agirem como cristãos, e não como paus mandados de qualquer partido político, que aspira mais à conquista do poder do que a um empenhamento dedicado e constante na luta pelo bem comum. Que concebe o poder mais como uma oportunidade de domínio do que uma vocação de serviço.

4. Sem triunfalismo, insisto, mas sem cobardia ou falsa prudência, na pagã sociedade para que nos empurram o cristão há-de saber assumir-se como diferente. Há-de saber dizer convicta e corajosamente: não vou por aí; o meu caminho é outro.

5. Crente de que a vida se prolonga para lá da morte e de que a felicidade total apenas se encontra no Além, o cristão sabe que, já neste lado da vida, Deus quer que sejamos felizes e nos sintamos co-responsáveis pela felicidade dos outros. O cristão sabe-se, já neste mundo, construtor do Reino de Deus, que assenta em quatro pilares fundamentais: a verdade, a justiça, o amor, a paz.

No seu dia-a-dia, o cristão tem um código de conduta, compendiado nas bem-aventuranças. Tem uma única lei, a do amor a Deus e ao próximo criado à imagem e semelhança de Deus e onde o mesmo Deus está. Um amor que não é nunca exploração do outro mas doação e serviço em favor do outro, seja ele quem for e pense o que pensar.

O cristão sente-se no dever de construir uma fraternidade baseada na paternidade universal de Deus, que não faz aceção de pessoas mas a todos ama e acolhe.

Na sociedade que o cristão é chamado a construir não há cidadãos de primeira e de segunda; não existem os nossos e os outros. Todos possuem a dignidade fundamental de seres humanos e de filhos de Deus. Todos devem ser amados e servidos, com uma opção preferencial pelos mais carenciados.

6. E não deixemos de estar atentos à acirrada campanha anti-Igreja.

É injusto identificar a floresta com a árvore, atribuindo ao todo erros porventura cometidos por algumas das sus partes.

Que a Comunicação Social seja, de facto, o Quarto Poder. Que o exerça com isenção, com verdade e com justiça. Que se não deixe instrumentalizar. Compete-lhe informar bem e não condicionar escolhas, atear incêndios ou «queimar» pessoas.


Autor: Silva Araújo
DM

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11 agosto 2022