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Quem vencerá a “operação militar especial” na Ucrânia?

Ninguém aprecia o que uma guerra traz para a sociedade. Ela é uma forma pouco ou nada humana de relacionamento entre os contentores. Duma forma habitual, o seu começo revela uma atitude de desespero de uma parte, mais fraca, pelas muitas humilhações que sofre por quem a ofende, ou um modo de alcançar um fim determinado por quem, objectivamente, tem um poderio bélico muito superior e se convence de que necessita de dar uma lição a quem desafia a sua autoridade ou, pelo menos, manifesta tendências contrárias ou perigosas em relação, segundo o entendimento dos atacantes, ao tipo de situação e de posição que deve ter perante a potência mais forte.

Todas estas considerações vêm a propósito do que se está a passar na Ucrânia, desde os finais do mês de Fevereiro do corrente ano, quando a Rússia, dirigida superiormente pelo detentor actual do seu destino, Vladimir Putin, a invadiu com a sua força militar incomparavelmente mais pujante. Não lhe chamou guerra, mas uma singela “operação militar especial”.

As forças russas ocuparam uma parte significativa do território ucraniano, mas não encontraram, da parte da população e dos seus militares uma recepção de quem, com paciência e submissão, se sujeitava ao projecto do ditador do Kremlin que, tanto quanto se sabe, procurou evitar uma grande contestação interna pela parte de seus opositores políticos. Isto é o que se depreende da imprensa e dos meios de comunicação social do seu enorme país. Como se sabe, encontra fortíssimas limitações para opinar sobre esta temática, porque Putin e os seus defensores tiveram o cuidado – e não param de o demonstrar – de instalar uma censura rigorosa a tudo o que se refere à “operação militar especial” em que se meterem.

Sem se saber por ora qual será o futuro desta invasão, começam a dar-se acontecimentos e situações, que revelam que tudo pode acontecer. Com isto, não queremos, de momento, dar um triunfo antecipado às forças ucranianas e... do mesmo modo, às russas. Zelensky defronta um inimigo muito poderoso, que dispõe de meios incomparavelmente mais fortes do que os do povo invadido. Note-se, ainda, que há, dentro da Ucrânia, uma população russa e pro-russa que não deve subestimar-se.

No entanto, se Putin pensou numa “operação militar especial”, decerto que não previu que ela durasse tanto tempo e, muito menos, que o seu exército sofresse tão grande número de baixas humanas e de perdas muito significativas de material de guerra. No primeiro aspecto citado, deixa de luto muitas famílias da Federação Russa. Economicamente, custa bastante dinheiro e torna a operação dispendiosa em extremo e pode arruinar a economia do seu país. Além disso, não é como um remédio que cura uma doença, apesar do seu preço ser muito elevado. Pelo contrário, pode tornar-se numa perda total da sua utilidade se a derrota vem ao de cima para as forças agressoras.

Outro aspecto significativo das ideias de Putin devem ligar-se às dificuldades com que não contava encontrar. Para além do tempo que já passou sem poder festejar a vitória, é humilhado pelas tropas atacadas, que reocupam territórios conquistados pelos russos e, tanto quanto se sabe, estão dispostas a continuar a luta até expulsarem o exército estrangeiro do seu território. A resposta, até agora, das forças russas, foi abandonar rapidamente as zonas da reconquista ucraniana, inclusivamente abandonando à pressa material bélico que pode ser utilizado pelos seus inimigos.

Ainda é cedo, frisou-se, para tirar uma conclusão sobre a “operação militar especial”. Mas, pelo menos, há a satisfação de ver um país responder de uma forma simultaneamente vigorosa e patriótica ao exército dum inimigo mais potente, que não calculou, com certeza, de forma objectiva, os atropelos que iria encontrar e as perdas humanas e materiais tão fortes que já experimentou. E que, certamente, vão reflectir-se na economia e na população russa de um modo muito significativo. Tudo isto, para além dos juízos bem esclarecidos da comunidade internacional, que reprovou, na generalidade quase absoluta, com alguma previsível excepção, esta intromissão de Putin na Ucrânia.


Autor: Pe. Rui Rosas da Silva
DM

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18 setembro 2022