twitter

Quem o feio ama…

Neste sábado frio e húmido, nada como aproveitar para as empreitadas mais domésticas, aquelas tarefas enfadonhas e monótonas que vamos adiando, em prol dos animados passeios de fim-de-semana.

Cansada de tanta coisa que vamos acumulando nesta vida dos tempos modernos e talvez a antecipar as clássicas limpezas da Páscoa, dedico-me às arrumações.

Algo decepcionada com o aspecto decrépito das plantas cá de casa, velhinhas e cansadas de tanto abandono, folheio os livros à procura da solução para o bambu que teima em não segurar as poucas folhas que lhe sobram.

Na leitura, acabei por me perder num capítulo dedicado aos arranjos de flores secas e afins. É um mundo de coisas bonitas de fazer inveja, o que algumas pessoas conseguem com ramos, pinhas, gramíneas, folhas, etc.

Com isto, lá arranjei desculpa para tirar a família de casa. Não foi fácil convencê-los a ir para o campo e pôr mãos à obra em busca dos ramos, das flores velhas e das plantinhas que eu escolhia, mais ou menos ao acaso – todas elas lhes pareciam feias e sem préstimo, definitivamente trucidadas pelo inverno.

No fim da tarde, já com a mala do carro carregada do que parecia um monte de palha, voltámos para casa, pouco confiantes no resultado final do trabalho que se seguia.

Tenho que confessar que pouco se aproveitou e que a maioria do que trouxemos foi para o saco do lixo. Mas lá consegui dois arranjos interessantes e vontade de fazer mais e melhor.

Parece-me que o segredo estará em aprender a olhar para este tipo de vegetação, descobrindo, no meio de um campo ou de uma sebe, as plantas secas com a textura e as cores adequadas, e em conseguir imaginá-las combinadas entre si. Já em casa, enquanto não vamos ganhando prática, temos que seguir o velhinho método da tentativa e erro.

Aprendi também que, no caso de pretendermos colocar o arranjo em vasos, umas pedras que trouxemos da praia, ou um pouco de areia, ajudam a segurar as plantas e a manter a estrutura pretendida.

Pelo que nos dizem os especialistas do tema, devemos usar vasos fabricados com materiais naturais, texturas simples e cores terra e pastel.

Por fim, embora indo de encontro ao gosto de cada um, é preferível mimetizar a disposição natural e evitar grandes aventuras de design.

Resumindo, parece-me que quem quiser aproveitar as plantas secas para dar um toque especial a algum recanto da casa, deve seguir duas regras principais: antes de mais, na escolha do material, confiar naquela célebre máxima segundo a qual “quem o feio ama, bonito lhe parece”; depois, na disposição dos arranjos, deve empenhar-se na parte mais difícil – manter as coisas simples.

Como escreveu Oscar Wilde: adoro as coisas simples. Elas são o último refúgio de um espírito complexo.


Autor: Fernanda Lobo Gonçalves
DM

DM

4 fevereiro 2018