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Quem é que eu sou

Vou tentar abrir um outro ângulo para largar a exploração de um tema que é comum aos humanos desde a antiguidade.

A definição do objeto ou do fenómeno em observação, é importante porque dessa definição depende a pergunta para o problema (ou dúvida, ou enigma) que esse objeto me coloca.

Quem é que “eu sou”? – esta pergunta simples encerra uma dúvida vital. Terá resposta?

Como é que “eu” me defino? Eu posso ser objeto do meu estudo? O eu como objeto de estudo só o posso ser deitada no sofá de Freud?

Eu, e cada um de nós, posso ser abordada como um “objeto”, exemplar da espécie humana, tenho idade, sexo raça, estatuto social, económico, escolaridade. Todas estas qualidades podem ser contadas, pesadas, medidas, transformadas em números, algoritmizadas. Com estes números na mão, posso comparar-me aos números que correspondem às mesmas características de outros “objetos” da espécie humana como eu, e ficarei a saber se os números que me correspondem são iguais, maiores ou menores que os números dos “outros”.

Terei muitos números. Estou a aplicar métodos quantitativos. Terei uma resposta para a minha pergunta: “quem é que eu sou”? Ou regresso ao sofá do psicanalista discípulo de Jung?

Também posso ser abordada como uma “persona” que pensa, conceptualiza, utiliza capacidades e competências para refletir. Avaliar capacidades e competências já não parece tão simples: inteligência, memória, visão, audição, riqueza ou pobreza de linguagem, precepção, adaptação, intuição. Para algumas destas características ainda não há instrumentos de medida precisos, portanto elas não são quantificáveis.

Terei de aplicar métodos qualitativos. Por exemplo, a introspeção. Posso fazê-lo sozinha? Ou lá tenho de ir ao castigo do sofá?

Quem é que eu sou, era a minha pergunta.

Mas como necessito recorrer a diversas disciplinas e métodos para me definir, parece-me que sou um sistema complexo talvez auto-organizado e a minha pergunta simples já não obtém resposta porque não é adequada a este objeto que eu agora começo a descobrir.

Terei de colocar uma nova pergunta para o meu enigma, este sistema altamente complexo e organizado que eu sou. Por exemplo: qual é o meu processo?

A definição do objeto condiciona a pergunta e só quando eu colocar corretamente a pergunta é que vou obter a resposta.

Que método escolher para encarar esta nova definição do meu objeto?

Alguma vez terei respostas? Melhor voltar ao meu sofá.

DESTAQUE

A definição do objeto condiciona a pergunta e só quando eu colocar corretamente a pergunta é que vou obter a resposta.


Autor: Beatriz Lamas Oliveira
DM

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7 setembro 2019