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Que «mostranças» temos dado de Cristo?

  1. Amar é mais que «satisfazer». E até é mais do que «plenifazer». Para amar, não basta «fazer bastante» nem sequer «fazer tudo». Verdadeiramente só ama quem se dispõe a fazer tudo pelo(s) outro(s).

  2. Foi este o exemplo de Cristo. E tem sido este o testemunho de tantos a partir de Cristo. Mas também reside aqui uma grande carência de muitos que se declaram seguidores de Cristo.

  3. Há quem só leve o amor até àqueles que agradam e enquanto agradam. Os que não agradam e os que deixam de agradar tendem a ser sumariamente excluídos do amor. Ou, então, tornam-se minimizados no amor.

  4. Quando tal acontece, não se ama o outro. Ama-se o eu e ama-se o outro em função do eu.

  5. A este propósito, recordo o cronista Rui de Pina que censurava o rei Afonso XI, de Castela, pelas «poucas “mostranças” de amor» pela sua esposa». Evocando este arcaísmo, não será caso para perguntar até onde irão as «mostranças» do nosso amor por Deus, por Cristo e pela Igreja de Cristo?

  6. Só há uma razão para pertencer à Igreja. Chama-se Jesus Cristo, o revelador de Deus. Daí que estar na Igreja e não estar com Cristo seja uma manifesta impossibilidade e um monumental equívoco.

  7. Tal equívoco assenta numa clivagem entre a Igreja e Cristo, como se a Igreja pudesse ser outra coisa além do ser de Cristo. A Igreja só pode ser Cristo. Se Cristo não transparece na Igreja, para quê a Igreja?

  8. Mas que «mostranças» temos dado de Cristo na Igreja? A Igreja existe para trazer o mundo para Cristo, o que pressupõe que ela se empenhe em levar Cristo para o mundo. Há, contudo, quem fique com a impressão de que, por vezes, a Igreja traz, mas não leva. Ou não leva suficientemente.

  9. Há uma apreciável disponibilidade para agregar, mas nem sempre se nota uma igual capacidade para transmitir e testemunhar. É natural que haja «mundo» na Igreja. Mas o decisivo é que, pela Igreja, haja Cristo no mundo.

  10. Cristo não precisa que Lhe mostrem o mundo. O mundo é que precisa – cada vez mais –que lhe mostrem Cristo. Cristo já conhece o mundo, ao passo que o mundo ainda não conhece Cristo. Sem Cristo, o mundo até pode vir. Mas só em Cristo encontrará razões para permanecer!


Autor: Pe. João António Pinheiro Teixeira
DM

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19 fevereiro 2019