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Que futuro nos espera?

Em pleno mês de agosto, decorrido o primeiro semestre de 2020, poderemos afirmar sem qualquer receio que este é um ano deveras aziago para toda a Humanidade, tendo em conta os efeitos da pandemia Covid-19.

Efetivamente, a doença provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), que rapidamente se espalhou um pouco por todo o mundo, tem marcado de forma indelével, direta e indiretamente, o quotidiano de milhões de seres humanos.

Um ano que nos remete para a história das grandes epidemias do século XX e que graças aos avanços da ciência julgávamos definitivamente erradicadas. Uma epidemia à escala global que nos faz pensar quão somos pequenos na grandiosidade infinita do Universo e capaz de operar uma verdadeira revolução na nossa maneira de viver, tendo em conta os múltiplos efeitos e condicionalismos que provocou.

Efeitos desde logo nos muitos milhares de vidas que roubou e no sofrimento que produziu nos parentes e amigos que ficaram, sem muitas vezes sequer lograrem dizer adeus. Consequências arrasadoras na economia mundial gerando desemprego e mais pobreza e uma onda avassaladora de medo que, em inúmeros casos, se transformou em pânico paralisante e castrador da própria liberdade.

Condicionalismos diversos no modo de agir e de pensar, impondo-nos um inusitado isolamento e impedindo-nos do convívio familiar e social a que estávamos habituados. No campo laboral, impondo abruptamente o teletrabalho a milhares de cidadãos e, na Educação, obrigando outros tantos milhares de crianças e jovens ao ensino à distância.

Transformações profundas e repentinas só possíveis graças ao avanço das tecnologias de comunicação que, sem elas, tornariam a resposta à catástrofe epidémica mais difícil e certamente ainda mais penosa.

Já alguém imaginou o que teria sido a resposta à pandemia sem computadores, sem internet e sem as modernas multiplataformas de mensagens instantâneas de texto, de voz e de imagem?

Nas circunstâncias atuais, com a pandemia a fazer o seu caminho e ainda longe de dar mostras de se dissipar, já um pouco mais familiarizados com o vírus maléfico e imprevisível, não há outro caminho senão seguir em frente. Com a economia em recessão, com o aumento galopante de desempregados e com a fome a ser o primeiro flagelo de milhões de seres humanos não será possível recuar. Parar novamente a sociedade nas suas variadas atividades e voltar ao confinamento coercivo geral e obrigatório desencadearia seguramente uma maior devastação de resultados ainda mais dramáticos.

Nesta perspetiva, acredito que correndo sempre algum risco de mergulhar no caos, caso a doença se tornasse incontrolável, não há outro modo de encarar o futuro. Impõe-se enfrentar a pandemia com respeito, prudência e sabedoria, mantendo a sua monitorização com rigor e moldando o comportamento individual e coletivo às conjunturas de cada momento.

No entanto, há que não esperar que o destino seja calmo e compassivo!

É imprescindível prepararmo-nos atempadamente e cuidar de nos apetrecharmos adequadamente para gerir uma situação que em contextos adversos, como surto gripal e outras infeções respiratórias comuns no tempo frio, se pode tornar incontrolável.

É urgente ter tudo preparado para fazer face a qualquer situação limite!

Há que dotar os serviços de saúde dos recursos humanos necessários e dos meios e equipamentos suficientes para acudir a uma situação de exceção. Há que preparar escolas e outras instituições de ensino para todas as eventualidades. Urge capacitar toda a sociedade para que o próximo outono/inverno não seja uma época a marcar ainda mais profundamente um ano que já tem sido bastante amargurado.

O futuro que nos espera depende, em grande medida, do que formos capazes de preparar hoje, para podermos enfrentar com sucesso a pandemia nas próximas estações do ano.


Autor: J. M. Gonçalves de Oliveira
DM

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4 agosto 2020