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Qual é a realidade deste País?

As últimas décadas foram realmente de profundas alterações que motivaram ou desencadearam modernização mas também crises com impacto económico e social. Comparar o país é olhar em redor e sentir as diferenças, sendo certo que escasseiam hoje profissões que antes eram de grande importância ou mesmo indispensáveis na economia do país. E se é verdade que o aumento dos salários proporciona capacidade para uma melhor qualidade de vida dos cidadãos e das famílias, não é menos verdade que aumentaram as dificuldades à medida que o país envelheceu e as reformas se sucederam, quase sempre com perda do poder de compra e aumento de despesas na saúde. Temos hoje uma sociedade diferente, onde escasseia por vezes mão de obra para efetuar pequenas reparações, ou então o preço a pagar se tornou demasiado elevado para quem dispõe de pequenos rendimentos ou pensões que já foram consideradas de classe média. A manutenção de um prédio tornou-se quase impossível para pensionistas ou trabalhadores com rendimento mensal equivalente ao salário mínimo. Por vezes, o cidadão comum interroga-se sobre a realidade do país, onde abundam as viaturas topo de gama, as moradias luxuosas, ou mesmo o número de carros utilitários, independentemente do custo dos combustíveis, da manutenção e custos associados à uma viatura. A pobreza encapotada ou escondida parece estar presente na vida dos portugueses.O contraste é flagrante com o passado, onde se trabalhavam pelo menos oito horas, mas com grande número de trabalhadores a cumprirem quase diariamente horários de 10, 12 ou mais horas de trabalho. Portugal está diferente, aparentemente para melhor, mas a precariedade no trabalho, o custo de vida, os problemas sociais continuam a ser uma preocupação para o presente e futuro. As mudanças assustam quando um simples aumento de taxas nos juros pode desestabilizar milhares de famílias. A questão continua a ser, a de um país que vive a ritmos e velocidades diferentes, onde a aparente riqueza esconde um aumento de pobreza e dependência social. O Estado social não pode preocupar-se apenas com o salário mínimo, o desaparecimento progressivo da classe média, mesmo tendo por referência os pensionistas, a dificuldade sentida pelos cidadãos quando necessitam de recorrer a pequenos serviços de manutenção na sua habitação, mostram que a capacidade económica da população afinal é reduzida e favorece a degradação de moradas de família, ou mesmo o abandono de terrenos produtivos. Um olhar em redor, continua a mostrar afinal um país pobre que na corrida para a modernidade se esqueceu dos mais velhos, que perdeu mão de obra para atender às necessidades dos cidadãos que dificilmente podem com rendimentos mínimos, contratar alguém para efetuar pequenos trabalhos nas suas habitações ou mesmo nos seus terrenos. Para trás ficaram as poupanças dos reformados, que lhes permitiam mais tarde enfrentar despesas inevitáveis na manutenção da casa ou no tratamento de doenças.A grande incógnita continua a ser, que resposta têm os nossos políticos, para todos estes problemas. Será que têm?
Autor: J. Carlos Queiroz
DM

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1 agosto 2022