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Putin, o ditador que provocou a guerra na Ucrânia

Quem não teve relutância em ser membro activo e considerado da KGB, a polícia política do sistema comunista que durante tantos anos dominou a Rússia e os países que faziam parte da zona de influência da União Soviética, não deve ser pessoa de grandes convicções morais sobre a liberdade do homem. Efectivamente, a KGB não era uma zeladora rigorosa do que, nos regimes verdadeiramente democráticos, se considera como a chave da realidade política dum cidadão: a sua liberdade de expressão, a capacidade de, através do voto, dar ou manter no poder as pessoas que entende que devem gerir a sua terra. Pelo contrário, o seu papel era a de manter no poder quem mandava, recorrendo sem preconceitos nem problemas éticos à tortura, à prisão, à condenação aos campos de concentração, enfim, a tudo aquilo que um sistema democrático condena.

O actual chefe da Federação Russa pertenceu à referida instituição, pelo que não nos devemos surpreender com as atitudes belicistas que tem tomado, sem consultar os cidadãos do seu país, mas, reunindo à sua volta, seguidores do seu poder, que estão conformes às decisões e processos que ele decide, como subordinados que respeitam quem neles manda e os mantém em posições de influência e de chefia.

A “Operação militar especial” que Putin resolveu realizar, invadindo a Ucrânia, é uma manifestação clara dum ditador que pensa na consecução duma determinação que parte da sua cabeça privilegiada e que se efectuará de acordo com o que ele imaginou.

Entre a Federação Rússia e a Ucrânia há uma distância bélica indiscutível. A primeira é muito mais poderosa, pelo que invadir esse país e dominar os supostos focos de “nazismo” que aí existem, afigura-se uma tarefa pouco complicada.

Tudo isto sai da mente dum chefe político que está na posse de ideias e processos indiscutíveis e, certamente, segundo ele, de total realismo. Por isso, não vale a pena consultar o seu povo. Ele é o seu representante, porque detém o poder, e, nesta ordem de ideias, o que resolver fazer não depende de consultas, mas sim do que a sua mente iluminada achar melhor. Hitler também começou a Segunda Guerra Mundial por decisão sua e dos seus apoiantes mais próximos.

Segundo dados ucranianos, já perderam a vida mais de 80.000 militares russos, além de um número muito robusto de feridos. Será um dado algo exagerado de propaganda? É provável que sim. Mas a realidade actual, demonstra com clareza que a ideia de um ditador não se torna verdade nem realidade por ele a arquitectar. Se a Rússia invadiu e conquistou, de momento, uma parte notória do território ucraniano, neste mês perdeu uma área que não era previsível da sua ocupação, por mérito militar do país invadido, que assim prova que está disposto a responder de modo igualmente bélico a quem usurpou os seus direitos de viver em paz e segurança na sua terra natal.

Claro que o ditador não gostou da derrota humilhante. Para disfarçar a sua melancolia, e, ao fim e ao cabo, reconhecer, perante o seu seu povo, que a guerra não terminou e não está a correr segundo as suas concepções, decidiu recrutar uma quantidade enorme de reservistas, com que pensa melhorar as condições da sua “Operação militar especial” na Ucrânia. Mas não consulta ninguém. O povo não tem direitos de dizer ao senhor Putin se está ou não de acordo com as suas decisões. Já meteu na cadeia opositores e manifestações contrárias em várias cidades a suas decisões recentes acabaram com uma intervenção policial violenta e o encarceramento de cidadãos. Ele é que sabe, ele é quem manda, ninguém tem poder para opinar de outra maneira.

Eis como governa um antigo membro da polícia política do regime comunista, que conseguiu assim manter no poder uma ditadura implacável umas boas dezenas de anos. Morreu de podre. Putin não se esqueceu dessa metodologia. E continua a vivê-la e aplicá-la.


Autor: Pe. Rui Rosas da Silva
DM

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27 setembro 2022