Quem acompanha o desporto de competição seguramente que já assistiu a atos rituais preconizados por clubes ou atletas a fim de obter sucesso nessa competição.
Muitos atletas têm hábitos que seguem religiosamente antes das competições, muitas delas por vezes demasiado esquisitas. São as chamadas crenças desportivas derivado do facto de em algum momento ter havido sucesso. Acreditam que seguindo sempre aqueles passos, que num jogo que lhes correu bem, fará com que o seguinte também corra.
Na verdade, o facto de acreditarem que isso faz com que se sintam bem tem repercussões no seu desempenho e consequentemente êxito individual ou coletivo. Quem não sabe que há atletas que utiliza uma cor, um objeto, ou uma frase que repetem sempre, ou a necessidade de entrar em campo com o pé direito... porque isso lhes dá sorte?.. Outras situações reportam-se, em caso de sucesso, ao cortar ou deixar crescer a barba ou cabelo até ao aparecimento de uma derrota.
Não era José Mourinho que vestia nos jogos sempre o mesmo “Sobretudo” porque, segundo ele, ganhava sempre e lhe dava sorte? Não foi leiloado por uma quantia exorbitante quando conseguiu um título para o Chelsea, após 50 anos de jejum? Não são os jogadores que associam as boas exibições ao equipamento utilizado? Estas atitudes são facilmente constatadas na grande maioria das nossas equipas de competição e só alteram hábitos talismãs quando efetivamente as derrotas aparecem. E aqueles que usam calçado de cor diferente? E que dizer de um amigo meu que gostava de entrar em campo sempre em último lugar?
Aliás um lugar muito disputado em muitas equipas. Outros comportamentos existem que seria fastidioso enumerá-los. Uns benzem-se simplesmente, outros beijam o dedo porque isso lhes dá sorte. E quantos amuletos não são levados para o interior do campo?
E se isso faz com que se sintam bem, não vem mal nenhum ao mundo!.. Mas a questão é bem mais complexa do que estes atos culturais. Que significado se poderá atribuir a estas práticas rituais? Que papel deve ter o treinador face a este comportamento? Estas são algumas questões que não tem respostas apropriadas.
Será que a galinha preta lançada para o recinto do jogo afasta os demónios que esse atleta ou equipa possui? As respostas, se é que existem, serão sempre surreais visto que não há nenhuma base científica que demonstre essa realidade. No entanto já li alguns estudiosos na matéria, que tentam explicar estas situações, como aqueles que afirmam que os gritos permitem a afirmação de cada indivíduo dentro da equipa e no seu conjunto.
Alguns treinadores são unânimes em afirmar quanto ao significado atribuído ao grito, confirmando o seu caráter de “coesão e união do grupo”. Expressões como “incentivo à união, concentração, motivação e espírito de conquista”, parecem apontar na direção do fortalecimento coletivo do grupo para o jogo.
A verdade é que se diga que vai correr bem, ou que vai correr mal haverá sempre razão. A questão não se trata de ter razão, é ter ou não ter uma boa prestação.Daí pensar que as práticas supersticiosas e os rituais estão mais de acordo com as necessidades individuais de cada um do que coletivas.
Autor: Luís Covas
Preconceitos
DM
20 outubro 2017