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Por onde é que andam o civismo e a coerência pessoal e social?

Aproximam-se os atos eleitorais e os políticos já fervilham por todos os lados a fim de fazerem o levantamento do estado mental dos votantes. Aproveitam todas as ocorrências públicas para lançar o isco da propaganda da banha da cobra. Lá vão eles percorrendo as feiras regionais ou locais e todo o evento que lhes proporcione uma certa colheita de simpatizantes mais incautos para as suas pretensões. Dizendo-se acérrimos antipopulistas, assumem atitudes e fazem discursos que encarnam um cariz profundamente eleitoralista.

Viajam de autocarro, de comboio, de metro ou de camião, mas quase sempre sob as luzes dos holofotes das Televisões. Não sendo populistas, vão roçando o campo de um “popularismo” doentio. Não faltam cumprimentos, abraços e outras atitudes afetivas muito enternecedoras. Chegou a época das promessas enviscantes e encantadoras que perspetivam a resolução dos problemas mais prementes das populações.

Por outro lado, a violação das regras da cidadania continua a ser o pão nosso de cada dia. Certos setores da população, por motivos meramente fúteis ou por qualquer exagero exibido nas ações para a manutenção da ordem por parte de quem cabe assegurá-la por direito próprio, logo se revoltam, insultam e até usam a violência, destruindo, muitas vezes indiscriminadamente bens alheios.

Esquecem que a educação cívica e moral é um elemento integrante da formação a que todo o ser humano tem direito e que deve ser racionalmente desenvolvido. Aliás, esta dimensão educativa continua a ser menosprezada por quem a devia promover e ministrar pelos meios mais adequados. Assim, para além dos pais e dos governantes, a escola deve proporcionar aos discentes a vertente cívica que deve fazer parte do currículo da aprendizagem ao longo de todos os graus de ensino, como uma disciplina autónoma.

Até parece que o civismo e as regras de cidadania são apanágio apenas de alguns. Nada mais errado. A vertente cívico-ética é demasiado relevante para ser ostracizada, uma vez que contém valores que integram a essência das relações humanas. A sua secundarização ou o seu relaxamento na educação do ser humano tem como consequência os conflitos familiares e sociais, a difusão do insulto, da desonestidade, do sarcasmo, da sátira gratuita, da violência e de toda a espécie de discórdias entre as comunidades. Não é pelo facto de os governos se apresentarem como neutros em relação aos valores que eles devam estar ausentes do processo de ensino/aprendizagem e da prática pedagógica.

É consensual a ideia de que, sem a dimensão cívica, a escola não está a desempenhar nem a cumprir adequadamente as funções educativas prescritas nos próprios documentos legais.

É preciso impulsionar o papel da escola na educação para os valores cívico-éticos. A sociedade, enquanto instância formadora, apresenta uma configuração cultural que se caracteriza pela constante mutação científica, tecnológica, política e axiológica, mas onde, infelizmente, também está patente uma crise de valores. Esta desordem valorativa implica, por si própria, um nítido golpe na autoridade que é questionada e desrespeitada em permanência.

Os próprios Meios de Comunicação Social, com a sua preocupação de independência ideológica, apresentam, muitas vezes, programas que ferem muitos valores humanos, violando até os seus próprios princípios deontológicos. Quantas vezes, os jornalistas entram na privacidade das pessoas com a ânsia mórbida de informar e de denunciar comportamentos desviantes das pessoas.


Autor: Artur Gonçalves Fernandes
DM

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24 janeiro 2019