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Ponto por ponto

No seguimento do artigo anterior, traço, agora, ao de leve mais algumas realidades da nossa cidade. É consensual e incontornável o desejo de termos uma cidade bonita, airosa, pujante, social e culturalmente equilibrada. Todos desejamos que a cidade e o concelho tenham um futuro melhor e mais risonho. Um futuro melhor para nós, para os nossos filhos e para as gerações vindouras. Para que isso aconteça e se concretize, é preciso preparar e construir uma cidade e um concelho verdadeiramente sustentáveis. Ponto um – Terá a cidade, como aglomerado bimilenar, gerador de ofertas variadas e motor de desenvolvimento, argumentos e atributos suficientes para proporcionar às suas gentes boas condições de vida? A resposta parece-me óbvia. Mas, para isso, é mesmo necessário o contributo inteligente, crítico e desinteressado de todos e de cada um na construção da tal cidade “amiga do cidadão” que ambicionamos. Sim, de uma cidade melhor que possa honrar e fazer jus ao seu historial e à sua projecção positiva nos espaços ibérico e europeu. Ponto dois – O seu historial obriga-nos a respeitar e a conviver com as suas memórias e a reconhecer os grandes vultos que a dimensionaram a ser grande a nível nacional. A sua projecção predispõe-nos a participar na ideia concreta de ver a consolidar o seu perfil cultural e turístico, a enraizar o valor da cidadania, a pugnar pela reabilitação do seu edificado, a exigir a conservação do seu património histórico e, fundamentalmente, a valorizar a sua espiritualidade e as suas gentes. É nestes dois pontos que reside o cerne do desenvolvimento citadino. Tudo radica, portanto, na riqueza espiritual que tem acompanhado a cidade ao longo da sua Historia e no potencial das pessoas que habitam neste espaço geográfico privilegiado. Ponto três – Ruas com edifícios arruinados – O processo de reabilitação está em marcha. É certo. Talvez demasiado lento e exíguo para as necessidades desta urbe que marcou, efectivamente, um tempo neste canto do noroeste peninsular. Quem se dispuser a fazer uma passeata descomprometida pelas ruas do casco urbano, e vale a pena fazê-lo, rapidamente se apercebe da grande ruína que atinge muitos dos seus edifícios. De facto, os responsáveis políticos do passado recente, os tais que dominaram o destino da cidade durante tempo demais, marimbaram-se para a conservação, vivificação e aproveitamento do seu edificado no casco urbano. A aposta desse executivo foi o dizimar quintas e mais quintas, no seu miolo e na periferia, para construir novo, com o argumento estafado da “expansão da cidade”. A razão crucial é que dava mais jeito, mais ganho e havia outros interesses associados. Os interesses da especulação imobiliária, do ferro e do cimento. Daí, o resultado dessa política estar estampado no triste e pesaroso edificado abandonado, com fachadas harmoniosas a cair de velho, com portas e janelas emparedadas a tijolo e, obviamente, sem gente. Como era “bom viver em Braga”. Ponto quatro – Desafio, entretanto, o leitor a dar uma volta pelo centro histórico, olhar bem para as fachadas dos edifícios. Terá agradáveis surpresas, pela certa. A cidade velha tem ruína, é verdade, mas tem muito encanto, tem memória e tem potencial para se afirmar nas mais variadas componentes do desenvolvimento e do bem-estar. Ponto cinco – Reabilitação urbana – É notório e louvável ver algum dinamismo na área da reabilitação. Contudo, o que está sendo feito não tem o ritmo desejado e necessário para inverter o estado de degradação que se verifica em toda a cidade velha. Porém, dá para perceber que existe alguma abertura neste campo. Penso mesmo que a reabilitação encetada nunca acompanhará a necessidade de se recuperar o edificado, tal é o fosso que actualmente existe. A ruína da cidade foi longe demais. Sem dúvida! Ponto seis – Para encerrar o artigo, refiro o abuso da ocupação do espaço público pela CMBraga, para montagem de “barracas e barraquinhas”. Este monta-desmonta continua em alta, acompanhado pelo movimento inusitado de camiões e de toda a gama de viaturas que empestam a “sala de visitas” da cidade. A Avenida Central foi tomada de assalto pelos activistas das “festas e das festinhas”. Contudo, há um espaço com vocação para a realização de qualquer evento: o Altice Forum. Já vai sendo tempo da CMBraga devolver por inteiro o espaço público aos bracarenses e sem quaisquer contrapartidas. Haja bom senso! Mais nada!
Autor: Armindo Oliveira
DM

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27 janeiro 2019