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Ponto por ponto

É sempre inspirador falar da cidade de Braga. A Bracara dos romanos. A cidade dos arcebispos. A cidade altaneira do Vale do Cávado. A bela cidade de André Soares e de Carlos Amarante. Insignes artistas que transformaram o duro granito em obras de arte imemoriais. O magnífico Bom-Jesus. O esculpido fantasioso da capela de Santa Maria Madalena na Falperra, entre outras jóias do barroco, marcam ainda hoje, o talento e o arrojo de um tempo.

É esta cidade que, agora, não se tem encontrado com a sensibilidade, com o sublime e com a capacidade de outrora. Outros tempos, outras preocupações, outras vontades? Talvez!

Ponto um - A democracia nacional ofereceu à cidade, para já, dois autarcas. Um, Mesquita Machado, esteve, comodamente, trinta e sete anos ininterruptos no poder. Uma enormidade e sem necessidade. Com ele no poder, tudo orbitava em volta do seu ego, das suas influências e dos seus caprichos. Era o verdadeiro senhor da urbe. O outro, Ricardo Rio, já no segundo mandato e com fortes possibilidades de cumprir o terceiro e último, tem pautado a sua intervenção, grosso modo, a debitar “quereres”, a avançar com intenções e a espalhar algumas mágoas de um passado socialista mal amanhado e corroído por dívidas muito complicadas de serem pagas. Esperava-se, contudo, mais de Ricardo Rio, tal era a auréola de esperança que transportava, quando chegou aos Paços do Concelho. Fazia acreditar que o “tempo novo” tinha despontado finalmente. Mas, para já, fiquemos com a ilusão. Suave ilusão. Depois, se verá.

Ponto dois - Estamos no tempo da propaganda, do faz-de-conta e de empurrar as dificuldades para mais tarde. Quem vier a seguir que se amanhe. É assim que funciona a democracia. Hoje não se resolvem problemas. Hoje maquilham-se e aldrabam-se os problemas. O que sobra em matreirice e em propaganda, falta em coragem, em verdade, em rigor e em determinação. Se não houvesse tanta impunidade política, haveria mais responsabilização e os políticos tinham outro cuidado e outra responsabilidade. Não se cometeriam tantos disparates de gestão, pois quem os cometesse e quem se comportasse de forma pouca digna, teria que os assumir e não sairia da cena política com um sorriso no rosto e com os bolsos cheios.Tinha que prestar contas e boas contas. Estou a pensar, justamente, no grande imbróglio municipal causado pela construção do Estádio da Pedreira e das suas famosas derrapagens. Outros obras existem em que a edilidade saiu nitidamente a perder. E de forma irreparável. E sem culpados. É isto que causa engulho.

Civicamente, ainda não estamos preparados para exigir outros comportamentos e outra postura a quem gere os destinos de todos e dispõe do dinheiro dos contribuintes de forma leviana.

Ponto três - Não é de estranhar os “choradinhos” de Ricardo Rio a propósito das dívidas contraídas na gestão de Mesquita Machado e do ‘contrato” anómalo celebrado com o Sporting de Braga. De facto, é inaceitável que a edilidade aguente cerca de 12 milhões de euros anuais em custos associados a empréstimos e indemnizações com o Estádio e o clube local se limite a pagar 500 euros por mês! Isto é ridículo! Não pode ser! Isto é uma versão surrealista e anedótica, representando, ao mesmo tempo, uma enorme falta de respeito pelo dinheiro de todos. Dinheiro que deveria ser investido com parcimónia e acerto. Ricardo Rio tem toda a razão em levantar o problema, em protestar, em manifestar discordância e incómodo. Mas, mais importante do que ter razão é agir. Agir em conformidade. Colocar os pontos nos is com coragem e determinação para inverter este pesado ónus que afecta e degrada as boas contas da Câmara Municipal.

Ponto quatro - Os milhões gastos num ano com o Estádio da Pedreira seriam mais que suficientes para se adquirirem os terrenos para a construção do Parque das Sete Fontes. Se assim fosse, a CMBraga escusaria de fazer figura de “pedinte”, perante a exigência natural dos proprietários que não abdicam dos seus direitos legais. Com tanto dinheiro em poupança, o edifício da Fábrica Confiança também não sairia da esfera municipal. Outros investimentos seriam possíveis, o que gerariam retornos financeiros, outra eficácia e atendimento aos munícipes de outra dimensão.


Autor: Armindo Oliveira
DM

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20 janeiro 2019