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Ponto por ponto

Tal como a vida, que começa com uma célula unificada, com singularidades próprias e prontas a construir um ser dotado de sentimentos e de inteligência, também a sociedade se constitui por células sociais, que se querem equilibradas e activas, para se inter-relacionarem e realizarem tarefas de proximidade nas comunidades locais onde estão inseridas. Refiro-me neste caso às freguesias. Quanto mais vigor, versatilidade e capacidade de optimizar os seus recursos e as suas intervenções têm, mais aptas estarão para desempenhar bem as funções atribuídas. Ponto um – Esta força celular no ser humano, vital e imprescindível, que dimana da sua característica eminentemente natural, programada ao pormenor pela Mente Divina para fazer face à sobrevivência e à vivência de cada um, as freguesias, pelo papel que desempenham na democratização, harmonização e coesão social, também se devem ajustar, valorizar e intervir com seriedade e sensatez na construção do “bom poder local”, ponto de origem de uma política que visa preparar um futuro melhor para todos. É este enunciado politico-social, consolidado no tempo e inovador na sua acção, que é necessário defender, imprimir e exigir nas freguesias. Esta preocupação e responsabilidade pela construção de um futuro com mais futuro, é o encanto e o cerne de toda a acção desenvolvida por aqueles que assumiram e assumem em consciência e de livre vontade este importante e diminuto cargo social de estarem à frente dos destinos das suas pequenas comunidades. Não vale a pena entrar em dissertações demasiado rabiscadas e teóricas para se entender que freguesias apáticas, vergadas pelo peso dos caprichos da edilidade e insensíveis às realidades social e cultural definem um país fragilizado, passivo e fechado às novidades dos tempos novos, às exigências de um mundo marcado pela competitividade e à visão positiva de ideias de pensamento livre, livre de preconceitos, de estigmas e de más políticas. Ponto dois – Sou um fervoroso adepto do chamado poder local. A reforma autárquica de Relvas de 2013, mal pensada e pior executada, foi um enorme erro político e uma tremenda desvalorização social e política das freguesias por andar a reboque de interesses ainda não totalmente descodificados. Foi, por todas as razões, uma reforma insensata, feita ao arrepio da História e das necessidades de um povo rural e suburbano que tem vivido e sobrevivido mais com os seus próprios recursos, materiais e humanos, para enfrentar o isolamento a que é, ainda hoje, votado incompreensivelmente e suprir dificuldades burocráticas que sempre deprimiram os seus concidadãos. Um bom serviço público, personalizado, prestado com classe numa autarquia local, funciona como uma ajuda prestimosa na resolução de problemas e representa uma barreira protectora dos interesses das pessoas nos seus pequenos mundos. A reforma de Relvas foi reconhecidamente má, mas ainda não foi reparada. Ponto três – Tive a sorte e a oportunidade de intervir directamente, num mandato, na autarquia de Merelim São Pedro. Exerci esse mandato no executivo com muito gosto, dedicação e seriedade. Com a minha ajuda, Merelim São Pedro alterou profundamente o paradigma da passividade, de abulia e de vazio cultural que existia. Deu-se um enormíssimo salto na participação cívica, na envolvência e no sentir a comunidade com orgulho. Desfizeram-se estigmas que obstavam as pessoas de se reunirem em volta de causas que diziam respeito a todos. Em Merelim São Pedro houve, de facto, uma mudança de rumo na forma como se encarava e se geria a freguesia. Aconteceu no tempo que soprou benigna uma lufada de ar fresco de bem-estar, de alegria, de entendimento. Havia entusiasmo a rodos. A eleição desse executivo criou outras expectativas que se materializaram no prazer de pertencer à comunidade merelinense. Foi um momento único de mobilização, de entrega e de reacção à passividade que estava cristalizada há décadas. Ponto quatro – Assistimos, hoje, ao voltar a página atrás. Voltar ao tempo do imobilismo, do vazio cultural e do alheamento cívico. Merelim São Pedro está deixando dissipar a auréola cultural que a envolveu e que a marcou. A resignação avança a olhos vistos e as pessoas começam a encolher os ombros. O esforço despendido de pouco valeu, já que os seus continuadores não têm sido capazes de passar a mensagem de participação e de entrega autêntica que receberam. Espero e desejo que o ano de 2019 volte a marcar a diferença nesta freguesia que tem enorme potencial para se afirmar pela positiva no contexto municipal. Como é?! Cruzar os braços, não!
Autor: Armindo Oliveira
DM

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13 janeiro 2019