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Ponto por ponto

A ingratidão é uma forma de fraqueza. Jamais conheci um homem (digo eu, povo) com valor que fosse ingrato”. Johann Goethe - escritor alemão (1749-1832)

Ponto um - O surto de greves que se tem verificado no sector publico é paradoxalmente abismal em relação à intensa e contínua propaganda do governo do “país está melhor”, atingindo os limites da incompreensão sob o ponto de vista da narrativa da geringonça. Este surto grevista, ainda em expansão, injusto e anómalo na visão socialista, desencadeado por forças “inorgânicas” em que a CGTP e a UGT estão um pouco arredadas do confronto laboral, supera já o verificado no período da Troika, período negro do passado recente, que foi fortemente marcado pela recessão económica, pela austeridade severa, pelo desemprego galopante, pelo esvaziamento dos serviços públicos e pela emigração em bloco dos melhores quadros nacionais, vergonhas criadas alegremente durante a bancarrota socialista.

O fenómeno grevista revela também e categoricamente, a face clara e real de um país frágil na área económica e financeira. Comprovadamente, o país não suporta mais governações amadoras e irresponsáveis ou distribuições demagógicas e gratuitas, como aquelas que se verificam no momento. Isto paga-se caro e a breve trecho.

Ponto dois - Neste cenário de crispação laboral, desvalorizada ao mesmo tempo, por um governo que se gabava de ser o responsável pelo clima incrível de paz social que reinava no país, com a cobertura táctica da CGTP, os trabalhadores da Administração Pública (tAP) demonstram uma enorme ingratidão, perante as benesses concedidas pelo governo do dr. Costa. Isto não se faz! O dr. Costa, vítima do seu próprio sucesso (?), da sua arrogância e cinismo, não merece esta afronta dos tAP. Para adensar o surrealismo do fenómeno, os radicais de esquerda têm-se mostrado complacentes e surdos, assistindo ao espectáculo, para já, com um silêncio e uma matreirice comprometedores para daí retirar dividendos de ordem eleitoral.

Com amigos destes até o fel é um suco adocicado. Só de pensar que foram estes os parceiros ideais de uma governação surripiada que engoliram todos os sapos e afrontamentos exigidos pela União Europeia, causa engulho a quem tem uma noção de país com boas condições de ter um futuro mais tranquilo. Não é seguramente com esta gente que se prepara o futuro como deve ser. E muito menos com aplicação da máxima do dr. Costa: “chapa ganha, chapa distribuída”.

Ponto três - O dr. Costa, apesar dos “amuos” recentes dos tAP, tem sido o amigo necessário e justo destes trabalhadores. Tanto assim é, que lhes deu praticamente tudo sem esperar contrapartidas de ordem política e eleitoral. Deu-lhes tudo de forma autêntica e desinteressada. Sem dúvida! Deu-lhes tudo para os compensar da “tortura” a que foram sujeitos no tempo de Passos Coelho que caprichou em os lixar. Deu-lhes tudo para os recompensar pelo excelente serviço prestado à nação. Em termos objectivos: deu-lhes mais dinheiro com as reversões.

Deu-lhes mais feriados com as eliminações. Deu-lhes as 35 horas semanais com as reposições, se bem que esta medida seja de carácter neutral no que concerne a custos orçamentais. Quem acreditou nesta treta? Descongelou as carreiras para que os tAP pudessem ganhar ainda mais dinheiro e aceder ao topo. Aumentou o salário mínimo na Administração Pública para 635 euros, numa medida discutível de descriminação negativa em relação ao sector privado. E tantas coisas mais. O dr. Costa não merece o estado de guerra já decretado pelo douto “prof.” Mário Nogueira.

Ponto quatro - Avizinham-se nuvens negras no horizonte da economia geringoncista e para a paz social. Com tantos irritantes, nacionais e internacionais, no percurso governativo, o dr. Costa está menos optimista. Coitado! Já fala em “retrocesso”. Já fala “que não nos podemos iludir com os números”. Já fala em “680 mil portugueses que aguardam pelo médico de família”. Já fala em que “persistem níveis elevados de pobreza”. E já não fala no virar da página da austeridade.

Agora, (espantoso!), austeridade metamorfoseou-se em “tempos difíceis”. E já não argumenta levianamente que Passos Coelho é o culpado de tudo o que se passa no país. Não percebo tanta humildade repentina. Não percebo mesmo. Só pode ser farsa montada para arrebanhar votos ou para enganar os incautos. Benditas eleições que fazem mudar as mentes dos políticos! Vimos no dr. Costa: outro visual, outra linguagem, outra atitude, outro choradinho! Agora um pouco piegas, com algum nervosismo! Tanta maquilhagem! Falará para tontos?

Estamos a assistir a mais um governo da oportunidade perdida e logo numa conjuntura internacional altamente favorável. Não é de estranhar! É o hábito e a sina, senhores socialistas!


Autor: Armindo Oliveira
DM

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6 janeiro 2019