Todos sabemos, pelo menos, os mais atentos aos movimentos políticos, que Portugal vegeta ligado à impressora do Banco Central Europeu. Pipas de massa faz-nos estar à tona e permite-nos rabiar como um tonto à procura de nada. Não queremos nada. Só queremos dinheiro dado e fácil. O que importa, no fundo, é contentar a clientela e manter o poder de qualquer forma. Os votos são “caçados” com as migalhas que supostamente distribuem. Só supostamente. É claro!
Ponto um – Estamos, portanto, há demasiado tempo dependentes da generosidade da União Europeia e do BCE, apesar das “humilhações” com que vamos sendo mimoseamos por países como a Holanda que “goza” com a situação. A verdade, é que, gerimos o dinheiro dos frugais com estroinice. “Copos e mulheres” é o anátema que nos colaram e até se encaixa na indumentária dos políticos nacionais que pouco se importam com a vergonha. E quando se perde a vergonha, não há mais nada a perder.
Em matéria de fundos de coesão, estamos entendidos. O país não se tem portado bem e de forma decente, desperdiçando, ao longo dos tempos, recursos avultados que poderiam mudar a vida dos portugueses. Para melhor, claro! Por isso, o enxovalhado na praça pública. Merecido!
Agora, com a pandemia, a situação de dependência agravou-se, desnudando com crueza a fragilidade sócio-económica que atinge uma boa parte da sociedade nacional. E para resolver o problema vai ser muito, muito complicado. Por culpa própria.
Ponto dois – As moratórias, uma medida extraordinária do foro financeiro, vêm esconder, por um lado, a falta de dinheiro para se honrar compromissos assumidos, quer por empresas, quer a nível pessoal, e empurrar, por outro lado, o problema para mais tarde. Quando as moratórias estiverem em execução, vão causar aflições difíceis de se imaginar. O cenário é, no mínimo, cinzento escuro. Inicialmente, as moratórias tinham a duração de seis meses. Este “bónus” terminaria em Setembro de 2020. Como a economia não dá sinais de recuperação, o presente envenenado foi prolongado até Setembro de 2021 com o objectivo de “folgar” ansiedades, de atenuar ou suprir as necessidades impostas pelo desemprego, entre outras razões. Uma coisa é certa: não haverá lugar a perdões e o que não for pago hoje, será pago amanhã com “juros”.
Ponto três – Governar à PS é uma maravilha! É uma governação sem problemas de qualquer espécie. Um governo de fingimentos. Sim, de fingimentos. Finge que não há dívida; finge que o défice público não existe; finge que o desemprego há-de resolver-se por geração espontânea; finge que o crescimento económico é um dado adquirido; finge que o SNS está cada vez mais robusto, apesar das seis mil mortes por explicar; finge que os Lares de Idosos funcionam nos trinques; finge que a actividade económica está em franca expansão; finge que a despesa pública está muito bem controlada. Tudo à socialista! Uma maravilha!
Se houver problemas na implementação e no ajuste das múltiplas e variadas medidas tomadas no conselho de ministros, põem-se as vacas a voar, anunciam-se injecções de milhões de euros no Estado Social, anuncia-se a contratação de milhares de funcionários: médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico, assistentes operacionais, etc e tal, e tudo fica nos conformes E sempre com os optimismos irritantes (agora já há menos sorrisos) como adereço desta trágico-comédia em constante exibição.
Ponto quatro – Findo o espectáculo governativo, quem vier a seguir que se amanhe e roa o osso rapado até ao tutano. Foi assim que aconteceu no passado com os salários em atraso no tempo de Mário Soares, com a “tanga” deixada por Guterres, com a austeridade implantado por Sócrates e agora com os sorrisos amarelos do dr. Costa que deixará, por certo, um rasto de dificuldades de toda a ordem e feitio. O retrocesso de muitos anos na qualidade de vida dos portugueses será um dado adquirido e o futuro próximo trará de novo os arrebiques socialistas dos optimismos, dos passa-culpas, do enfraquecimento do Estado Social como aconteceu com os líderes anteriores que meteram o país em sarilhos. Mais socialismo, mais atraso.
Autor: Armindo Oliveira