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Ponto por ponto

Quando se fala de Portugal e do seu futuro, com os socialistas no poder, não se pode encarar os assuntos da conversa com muita seriedade. Não é bom para a conversa, nem bom para os conversadores. É preciso fingir que, neste país, tudo corre bem, que não existem problemas para se resolverem e que temos um povo esclarecido e bem saciado de ilusões. Para ornamentar o cenário, a comunicação social que se deixou adestrar por subsídios baratos ajuda a entrosar o “sketch”. Para terminar, temos os actores (políticos) mais valiosos do mundo. Tudo aqui é mesmo do melhor do mundo, como afirma repetidamente o Presidente da República. Ninguém, portanto, se equipara a nós. Estamos na linha da frente em todos os campos: do conhecimento à inovação; da boa gestão ao bom investimento público; da organização territorial ao aproveitamento cabal dos recursos naturais; da planificação rigorosa ao dossiê das reformas; do combate efectivo à corrupção à lisura dos concursos públicos. Até na diplomacia somos ímpares.

Ponto um - Só para contrariar a narrativa socialista - Os números escandalosamente enrodilhados pelos super-gestores bancários - BES, BANIF, BPN, BPP, CGD e agora com Novo Banco - e com os negócios ruinosos das empresas de topo nacional - EDP e a defunta PT, por exemplo, e com o sorvedouro de dinheiro público chamado TAP- fazia com que o país pudesse estar numa situação social, económica e financeira bem mais acomodada e digna no contexto europeu. Estamos bem no fundo da tabela e a descer cada vez mais. Por este caminho, não faltará muito tempo para que a posição última nos pertença por direito próprio, realidade caricata e demonstrativa da incapacidade e da incompetência dos nossos políticos, dos gestores públicos e dos nomeados supervisores e reguladores do Estado. São estes os guardiães do reino?!

Ponto dois - Os “fazedores de opinião” esfalfaram-se, durante tempo demais, em vender que Portugal tinha agora, nas suas mãos e nas suas graças, a geração mais qualificada e mais formada de sempre. Esta mais-valia ao serviço do país, faria mudar todo o sistema social que vegeta emperrado, obviamente para melhor. O contributo significativo dessa massa fortemente preparada dotaria o país de inovação, de empreendedorismo e de investimento.

À custa deste “know-how”, surgiram por todo o lado, as fantásticas “startup’s”, incubadoras de uma nova dinâmica económica (muita fantasia e muito amadorismo) disposta a alterar o paradigma de estagnação em vigor. Essas incubadoras chegaram ao sistema empresarial às centenas e às dezenas foram soçobrando até a sua quase indiferença. Hoje, já não estão no radar do interesse económico, nem na inovação. Uma aposta perdida?

Por outro lado, e devido ao “êxito” proveniente de gestão incipiente da administração pública e da descapitalização empresarial privada, a geração mais qualificada de sempre viu-se compelida a zarpar para outras paragens em busca de outras condições de vida, de trabalho recompensador e de um futuro mais tranquilo, dado que estes governantes não têm qualidade para os cativar dentro de portas. Este tem sido o nosso azar.

Ponto três - Estamos no momento e de novo numa armadilha previamente montada com as gavinhas das ilusões, dos optimismos irritantes e do milagre económica que se esfumou nas condições insuficientes para enfrentar o tal “diabo” que um dia iria aparecer para “infernizar” a linha serôdia no poder. Foi uma injustiça acontecer esta tragédia a este governo e logo numa altura em que os portugueses viviam desafogados e a pobreza estava em vias de desaparecer.

Ponto quatro - Enquanto o “clima de normalidade” se enraíza no país, dizem eles, o elevado caudal de mortes de humanos (10 390) no mês de Julho, não tem merecido a mínima atenção e preocupação dos comentadores avençados, nem do gabinete ministerial da Saúde. Tampouco a DGS opina e esclarece convenientemente acerca desta tragédia. A pandemia justifica 1,5% da mortandade verificada. A onda de calor também não é o argumento mais plausível. Então, como se justifica tanto óbito se o SNS está forte e eficiente? Tanto mortandade só pode ser mistério! Ou irresponsabilidade? Este jogo da vida e da morte não pode ser escondido. Urge esclarecer.

Destaque

A onda de calor também não é o argumento mais plausível. Então, como se justifica tanto óbito se o SNS está forte e eficiente? Tanto mortandade só pode ser mistério! Ou irresponsabilidade? Este jogo da vida e da morte não pode ser escondido. Urge esclarecer.


Autor: Armindo Oliveira
DM

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23 agosto 2020