twitter

Para onde caminhamos?

Mesmo correndo o risco de me tornar repetitivo nas críticas que venho fazendo à nossa (des)governação, a verdade é que não consigo ficar calado face ao que se vai passando nos meandros de um governo que anda nitidamente à deriva se atentarmos em alguns casos que envolveram membros destacados do actual elenco governativo. Bem, até parece que a maioria absoluta fez mal ao PS ou então andam ao despique para ver quem comete a maior borrada, já que os escândalos têm sido tantos, e ultimamente tão frequentes e graves, que parece haver uma competição dentro da actual administração governamental pela maior burrice.

Para não enfastiar muito os leitores, vou cingir-me apenas a três casos que me deixaram a pensar se não estaremos a caminhar para um quero, posso e mando, de todo inconveniente e deveras preocupante num dos casos, e de uma total e inconcebível descoordenação que podemos detectar nos outros dois casos. Comecemos pelo incrível caso da localização do novo aeroporto para servir Lisboa:

Como é sabido, houve um despacho do ministro das Infra-estruturas, Pedro Nunes Santos, que apresentava a solução para a localização do novo aeroporto, só que, e pelos vistos, o Primeiro-Ministro “terá” sido apanhado desprevenido já que revogou de imediato o referido despacho! Meu Deus, como é possível que num governo com todas as condições para ser coeso aconteça uma discrepância deste quilate? Será que já começou a guerra pela liderança do partido quando Costa arranjar um tachito no estrangeiro à semelhança de alguns dos seus antecessores? Tenho para mim que todo este imbróglio da localização de um aeroporto para servir a capital se prende com interesses de alguns lobbies que lutam desesperadamente por ganhar vantagem na construção de um novo aeroporto e nos seus preciosos acessos… e o aeroporto internacional de Beja ali tão perto!

Passemos agora à forma pouco edificante, para não dizer outra coisa, como a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, respondeu aos jornalistas quando instada a comentar as críticas feitas ao seu ministério pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) que se queixava ser inexistente uma adequada resposta do governo para mitigar o impacto da seca: «É melhor perguntar porque é que durante a campanha eleitoral a própria CAP aconselhou os eleitores a não votar no Partido Socialista»! Bem, isto cheira a vingança, o que é gravíssimo, ou será mesmo um autoritarismo que em democracia é intolerável. Será que uma resposta destas que tresanda a totalitarismo não era suficiente para o Presidente da República intervir e aconselhar a destituição de uma ministra que não admite que não afinem pelo seu diapasão?

Por fim o caso mais recente que terá feito as delícias de quem advoga o anti-compadrio que infesta este país e que envolveu a polémica contratação de Sérgio Figueiredo para assessor do ministro das Finanças Fernando Medina. Nada contra o facto de este ministro precisar de um consultor de finanças mas, francamente, neste toma lá dá cá, convenhamos que o ministro das Finanças ficou muito mal na fotografia. É bom lembrar que, não faz muito tempo, este mesmo Sérgio Figueiredo, então director de informação na TVI, tinha contratado Medina para fazer comentários naquela estação televisiva que na realidade não passavam de “fretes” ao governo socialista. Aqui chegados é-me lícito questionar; Será que a contratação de Sérgio Figueiredo foi para pagar o favor de ter tido Medina como “comentadeiro” na TVI? Se não foi assim parece o que me leva a concluir que esta gente já perdeu a vergonha (consequências da maioria absoluta?) e até já se esqueceu que à mulher se César não lhe basta ser séria… Uma última pergunta: será que o primeiro-ministro não sabia desta troca de favores? Se não sabia, é muito grave, se sabia, então muito bem, também fica muito mal na fotografia.


Autor: António Fernandes Coimbra
DM

DM

24 agosto 2022