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Ou o fim da guerra ou a «Guerra do Fim»!

«Quando a situação é mais dura, a esperança tem de ser mais forte».

— Vergílio Ferreira —

A espiral é contínua e (insuportavelmente) infernal. Nem os idosos são protegidos. Nem as crianças são poupadas.

Há pessoas soterradas e famílias dizimadas. A escalada não estaciona nem aparenta recuar.

Vidas sem conta não param de ser exterminadas.

Caças, helicópteros e mísseis de longo alcance fazem estragos sem limite – nem piedade – no que há de mais sagrado: a existência humana.

Há pouco mais de duas semanas, quem acharia ser possível o que está a acontecer? Volvidos estes dias, quase ninguém avista uma saída que este morticínio possa suster.

A «blitzkrieg», que entrou de rompante no nosso mundo, não dá sinais de abrandar. E da nula racionalidade de decisões quase sempre reactivas não há que esperar o melhor. Pode, então, o que já é (muito) mau tornar-se (ainda) pior? Infelizmente, pode.

É uma das chamadas «leis de Murphy»: o que é mau pode ser pior.

Nesta fase, o descontrolo já é gritante. Acontece que o potencial destruidor ainda não foi totalmente utilizado. Temos esperança, aliás, de que nunca o seja. Mas o perigo existe.

Se o arsenal nuclear for activado, não são apenas os territórios beligerantes a ser atingidos. A Europa inteira e grande parte do mundo não deixarão de estar ameaçados.

Um tal cenário seria devastador. Mas dele já estivemos mais longe.

É por isso que – talvez nunca como hoje – temos de pensar no (excruciante) dilema que John Kennedy verteu na ONU em 1961.

Efectivamente, «a humanidade tem de acabar com a guerraantes que aguerraacabe coma humanidade».

Concretizando, ou trabalhamos todos – e rapidamente – pelo fim da guerra ou arriscamo-nos a ser sufocados por uma «Guerra do Fim».

Não estará em causa o fim do planeta, mas o fim da civilização tal como a conhecemos.

Daí o aviso atribuído a Albert Einstein, que afirmava não saber como seria uma terceira guerra mundial. Mas entrevia como poderia ser a quarta: «com paus e pedras».

Por conseguinte, façamos tudo para que as posições não se extremem.

Percebamos – de uma vez para sempre – que uma guerra é sempre um fratricídio.

Afinal, não somos todos irmãos? Então porque nos agredimos e maltratamos? Como observou Bertolt Brecht, «entre os vencidos, o povo passa fome; entre os vencedores, passa fome o povo».

Não falta quem olhe com sobranceria para tudo o que respire «utopia». Mas o (des)caminho que trilhamos está a levar-nos para uma pavorosa «distopia».

Ainda vamos a tempo de lhe pôr um travão? Apesar de tudo, acredito que sim!


Autor: Pe. João António Pinheiro Teixeira
DM

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15 março 2022