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Os “ateadores” do reino

Andava eu a ver se, desta vez, evitava falar sobre o flagelo do fogo, mas não consegui. Isto, porque não quero deixar passar em claro o muito que já foi dito pelos comentadores do regime e arregimentados nos diversos Órgãos de Comunicação Social. E uma delas é terem declarado que este Governo já fez muito, desde 2015, pelo que teremos de nos habituar a conviver, anualmente, com os incêndios em época estival. Isto, assim dito pelos supostos entendidos na matéria, soa-me a gente que nunca sofreu na pele a tragédia provocada em grande parte por incendiários. Ou seja, é mesmo de quem não sabe o que é ficar sem nada e, até, sem a própria vida. Depreendendo-se, daí, haver quem esteja interessado em normalizar os incêndios, ou fazer deles assunto a arrumar. Ou seja, impossível deles nos livrarmos quer o Ministro da Administração Interna se chame Cabrita, Carneiro, ou Ovelha do mesmo redil partidário. Mas o mais estranho é que se fala muito em incúria e descuido com as máquinas agrícolas, queimadas, etc., mas muito raramente de fogo posto. É que, a meu ver, a leva de pirómanos que por aí prolifera (bem configurados no cartum do DM de 23 de julho, último), tal como os pedófilos e os viciados em violência doméstica, cada vez são mais. Há, até, quem culpe o país por ser dotado de um solo, espécies arbóreas e vegetação mediterrânicas propícias ao fogo. Mas não só. Também debitam que o clima chuvoso no inverno e seco no verão, faz desabrochar as plantas que alimentam a combustão. Como se o famigerado pinhal do rei, em Leiria, tivesse crescido agora. Ou será por acharem que nos polos do planeta é que o país deveria estar? E andamos nós para aqui a culpar o Brasil por não cuidar da Amazónia, que é uma imensidão florestal, quando não somos capazes de ordenar a parca floresta desta espécie de quintalzinho à beira-mar plantado. Tudo vai servindo para justificar o atavismo e a falta de uma justiça de mão pesada para com os incendiários; que os julgue e puna severamente – ao nível de terroristas –, porquanto há pessoas que ardem no meio das chamas, devido a tais atos. Mas não! Agora, até se vão buscar as alterações climáticas para mascararem as origens do fogo. E eu apensar que se o país voltasse a arder com violência desde Pedrógão Grande, perante as promessas feitas e não cumpridas, este executivo de António Costa já estaria a banhos. E que o Presidente Marcelo após ter jurado a pés juntos que, doesse a quem doesse, iríamos saber quem roubou as armas de Tancos; que após conversa fiada, há 5 anos, de que fogo como o de 2017 não voltaríamos a ter e é o que se vê, já deveria era ter vindo pedir desculpa aos portugueses. Sabem? É que por cá também há políticos – como o deputado João Plenário, humorista brasileiro – cujo discurso é de elogio ao povo, em dia de Camões, mas, bem lá no fundo, o que querem é que ‘o povo todo se lasque’. Se Marcelo estivesse atento ao eucaliptal que por aí há – mesmo nas zonas outrora ardidas, sem nada ser feito – e “puxasse as orelhas” ao seu amigo Costa, a coisa poderia ser bem diferente. Mas não, tal é o incómodo que sente em chamá-lo à atenção. E não adianta o Presidente fugir com o rabo à seringa, pois sabe bem que este executivo PS e o anterior pouco fizeram não só para evitar os incêndios, como pela falta de água no verão, tão esquecida no inverno. A não ser, gastar dinheiro em golas antifumo e numa equipa de guardas-florestais que se dá ao luxo de fazer greve com o país a arder. Porém, tem sido um regalo vermos os senhores da Proteção Civil, trajando fardas imaculadas, a desdobrarem-se em declarações na TV sobre a humidade o vento e a seca, exceto acerca dos “ateadores” do reino. Como que a quererem convencer-nos de que o fogo é inevitável. Inevitável? Uma ova! É mas é tacho e proventos para muita gentinha. Não fossem alguns populares e os corajosos bombeiros e Portugal já seria um archote europeu. Ou como uma aldeã, idosa, gritava: – “isto é uma pouca-vergonha!”.  
Autor: Narciso Mendes
DM

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1 agosto 2022