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O Teatro – Outra forma de vida

No último sábado, dia 21 de Outubro, às 21h30, aconteceu Teatro no Centro Cívico da freguesia de Palmeira. Isso mesmo. “As Artimanhas de Scapin”, de Molière, foram apresentadas a numeroso público pela Nova Comédia Bracarense, grupo amador constituído por profissionais de alto gabarito. A peça, com imensa graça, fez rir até às lágrimas uma plateia constituída por gente de todas as idades. Os intérpretes mostraram, com brio, que de amadores só têm o nome, já que todos “agarraram” o seu personagem com invejável profissionalismo. Tudo esteve a preceito: vestuário, intervenção sempre oportuna das diversas personagens, cenário, entradas e saídas, “deixas” e tudo o resto. Está de parabéns a freguesia de Palmeira com o seu Centro Cívico e todo o demais apoio a esta gente que tem o teatro no corpo e na alma, que, enfim, respira e vive teatro e mostra teatro do bom a quem quiser vê-los. São tão bons ou melhores que muitos ditos profissionais. Bem hajam! Aqui há uns anos, não me recordo há quantos, Braga tinha vários grupos de teatro amador. Sei que tinha, porque um ano, eu e mais dois colegas fomos convidados para sermos júri das peças e escolhermos a vencedora. Andámos de terra em terra e apreciámos as diversas formas e géneros teatrais. Foi uma experiência que jamais esquecerei, pois fiquei mais rica e, se possível, mais apaixonada pelo teatro que desde muito nova me fascina. Dantes (ui há quanto tempo!) vinha muito teatro a Braga e também ao Porto, onde muitas vezes nos deslocávamos por via dele. Teatro sério, teatro cómico, mas teatro que apaixonava, tocando profundamente todos os espectadores. Hoje não sei o que aconteceu a todos esses grupos de teatro. Desapareceram, simplesmente, o que é grande pena. O teatro é arte que educa e eleva o espírito e a mente obrigando-a a recriar novas situações, novas peças, a partir do visto. Não é Brecht que diz que o dramaturgo escreve uma peça, o encenador encena outra, os actores representam outra e os espectadores assimilam outra? Pois vejam então o papel educativo do teatro e quão benéfico seria para os nossos jovens! Quão mais sabedores, críticos e educados seriam se vissem mais teatro! O nosso maior cineasta, Manoel de Oliveira, escreveu (ou disse?) um dia que, e cito, “O teatro é mais honesto que o cinema, porque o teatro filma sonhos”. Interessante, esta afirmação do homem que passou a sua longa vida a fazer “fitas”. Interessante e elucidativa. “Quem tem ouvidos, que oiça”. E vou terminar com uma informação preciosa para os amantes do bom teatro: A Nova Comédia Bracarense vai pôr em cena, no próximo 25 de Novembro a obra “As guerras de Alecrim e Manjerona” da autoria do malogrado António José da Silva, mais conhecido por Judeu que mereceu obra excelente do escritor Bernardo Santareno.
Autor:
DM

DM

27 outubro 2017