twitter

O rosto de Cristo, a verdadeira Páscoa!

Sim, há Páscoa! Mesmo que haja impedimentos, pandemias, guerras, fundamentalistas e anticristos, a Páscoa de Jesus será sempre celebrada. Se este acontecimento, o mais importante e marcante da humanidade, é o motor e alicerce da nossa existência como cristãos, jamais deixaremos de o celebrar. Fá-lo-emos de forma solene, mas digna e humildemente, pois assim Cristo nos pede. Quanto mais simplicidade nos atos, mais riqueza no coração e só assim compreenderemos a vontade de Deus em cada um de nós.

A Igreja dá-nos a Quaresma para prepararmos a Páscoa! São 40 dias, tempo suficiente para incorporarmo-nos em Cristo, enquanto humano. Somos convidados a meditar muito na paixão de Jesus Cristo e mais ainda, no motivo por que se deixou levar, vencer e desistir de viver.

Na quadra quaresmal é comum postarem e exibirem fotos, logótipos e símbolos que retratam o “Rosto de Cristo”. Pois bem, e se pararmos para pensar verdadeiramente no rosto de Cristo! O rosto de um homem que caminhava para o suplício; o rosto de um filho ao olhar para a sua dolorosa mãe; o rosto de um jovem ao olhar para os amigos, como João; ao ser traído e ignorado; ao ser ajudado por Simão, que aliviou o peso da Cruz; ao olhar para o ladrão, de quem teve compaixão; ao exprimir sede, sofrimento, espasmos e arrepios de morte… A Quaresma é um desafio, um sentido de entrega e de coragem para sermos verdadeiros rostos de Cristo, ao olhar para os nossos irmãos, para os pobres, os refugiados da guerra, os doentes desamparados, as crianças indefesas… E depois disto, como vamos receber Cristo ressuscitado! Aquele rosto alegre e cheio de vida, virtuoso e triunfante! Vamos recebe-lo em pecado? De coração frio e obstinado? Indiferentes à pobreza? Viciado em luxos, vaidades e prazeres? Ignorando Cristo e o próximo? Alinhando em modas horripilantes e animalescas?

Cristo de um rosto triste e desamparado, passou a um rosto alegre e triunfante. E foi esse rosto triunfante e vitorioso que Ele nos quis dar, ao libertar-nos do pecado e do abismo, ao tirar-nos das trevas e das injustiças, ao abrir os nossos corações à caridade, ao amor e à justiça.

Nesta Páscoa, o próximo é a nossa meta. Somos convidados a deitar fora os egoísmos, as vaidades e os prazeres próprios. Lembremos que o outro é para nós, o que nós somos para ele!

Está na hora de pensar e estender a mão ao próximo, é nele que está Cristo.

Meditemos nas nossas atitudes durante esta Quaresma e Semana Santa: Vais limpar a casa? Lembra-te que a maior sujidade está no teu coração ao não perdoar o próximo! Vais comprar roupas novas? Lembra-te que os refugiados da Ucrânia e outros, só levaram a roupa do corpo! Vais colocar um beberete luxuoso, em que mais de metade das coisas se estraga? Lembra-te que os sem-abrigo e os pobres que não tem que comer! Vais à casa do vizinho “beijar a Cruz”, quando na verdade vais é bisbilhotar? Lembra-te que nos outros dias do ano o teu vizinho esteve só e teve momentos de grande solidão! Vais deitar foguetes? Lembra-te que o som é idêntico ao som armas e bombas! Na tua terra há o Compasso Pascal, mas fechas as portas à Cruz, mas abres aos Zés P’reiras ou grupos de bombos, em outras ocasiões? Lembra-te que num ato de aflição recorres por instinto a Deus e a Nossa Senhora e não aos Zés P’reiras ou aos grupos de bombos! Morreu alguém e não abres a porta porque estás de luto? Lembra-te que estás a mentir e que o teu ente querido deve estar muito triste pela decisão que tomaste! Aproveitas os dias santos da Páscoa para gozares férias e teres proveitos próprios? Lembra-te que nesses dias alguém sofreu muito, foi barbaramente torturado, injustamente condenado e morto!

Que esta Páscoa seja espelho do rosto de Cristo ressuscitado, alegre e vitorioso porque fizemos o bem, cuidamos e amamos os desamparados, lutamos pela paz e servimos os refugiados, aliviamos dores e apaziguamos sofrimentos físicos e mentais, alimentamos corporalmente e espiritualmente pobres e desagregados, demos aquele abraço ou fizemos um telefonema na hora certa.

Que Jesus Cristo seja o verdadeiro sentido da nossa Páscoa/passagem pela terra para a eternidade.


Autor: H. José Esteves
DM

DM

11 março 2022