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O regresso

Por outro lado, é uma satisfação enorme dispor deste espaço que me é concedido para divulgar e procurar valorizar o desporto bracarense. Na verdade, se há valor pelo qual me tenho batido é o da afirmação da nossa região e dos nossos símbolos desportivos. Sempre encarei o Sporting de Braga, tal como os outros clubes bracarenses, como manifestações de um todo maior que é a nossa terra e a nossa gente. É este o meio pelo qual o desporto pode contribuir um bocadinho para a nossa felicidade, porque o sucesso do Sporting de Braga contribuirá sempre para o engrandecimento daquilo que é nosso. É neste contexto que sempre tive uma enorme dificuldade em entender por que motivo muitos de nós optam por apoiar clubes de regiões distantes. Muitas pessoas que conheço batem-se contra o centralismo de Lisboa e, ao mesmo tempo, são adeptos de clubes da capital. Não consigo compreender esta incongruência, tanto mais que é cada vez mais visível a forma como estes clubes utilizam as vantagens do centralismo em benefício próprio, abafando por completo as realidades regionais, vistas como potenciais concorrentes; é neste contexto que na internet os clubes ditos “grandes” são conhecidos como “eucaliptos”; porque à sua volta nada cresce; tudo é abafado por eles. Ou melhor, tudo pretendem abafar; porque não conseguem. Nunca o conseguirão totalmente. Realidades como o Sporting Clube de Braga e o Vitória de Guimarães são “unhas encravadas” nos pés de barro dos ditos “grandes”. Nós temos mostrado, ao longo das duas últimas décadas, que é possível fazer-lhes concorrência. O número de braguistas e vitorianos não tem parado de crescer nos últimos anos. Agora imagine-se que estes clubes finalmente resolviam unir esforços, em vez de continuarem a digladiar-se em questiúnculas ridículas e batalhas campais de adeptos que nada têm a ver com o espírito do jogo. Imagine-se que conseguíamos viver como aliados, mantendo a saudável rivalidade que vem dos nossos egrégios avós. Pois bem, estou convencido que este é o único caminho que vale a pena seguir; é o único caminho que nos está destinado para a afirmação, definitiva, do Minho como região de charneira, de Braga como cidade orgulhosa das suas raízes, das suas tradições, da sua História e cultura ancestral. Estou convencido que a necessidade desta aliança contra os interesses centralistas já é compreendida e aceite pela maioria dos adeptos dos dois clubes. Tenho muita pena é que algumas pessoas com responsabilidades, como o Presidente do Vitória e o ex-governador civil do distrito teimem em alimentar a inimizade, o ódio e a desunião. Nunca os nossos clubes hão-de beneficiar com essa postura.
Autor: Manuel Cardoso
DM

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12 outubro 2017