twitter

O novo Governo de Portugal - O que esperar?

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, marcou a cerimónia de posse do XXIII Governo de Portugal para as 17 horas de amanhã, quarta-feira, no Palácio Nacional da Ajuda.

Dois meses depois das eleições legislativas de 30 de janeiro, António Costa vai continuar a deter o poder executivo, agora com uma maioria absoluta e sem necessidade de negociar com qualquer outro partido representado na Assembleia da República. Será melhor? Será pior? O tempo o dirá.

O certo é que António Costa se libertou dos seus antigos parceiros da extrema-esquerda e agora não tem desculpas para executar o programa que apresentou aos portugueses, embora as circunstâncias tenham mudado abruptamente.

Na realidade, a invasão da Ucrânia pela Rússia mudou radicalmente o xadrez internacional e as incertezas abundam.

Com uma guerra na Europa que poucos esperariam, os contextos e os condicionalismos são tantos, que ninguém com segurança pode prever o que o futuro nos reserva. Por tudo isto, penso que mais do que nunca, é preciso que os diversos interlocutores envolvidos no nosso destino comum se esforcem por criar as pontes necessárias para uma boa governação.

Dos órgãos de soberania espera-se uma colaboração livre e aberta, neste tempo de grande turbulência, em que o interesse nacional deve prevalecer sempre sobre quaisquer divergências ou pequenas quezílias que ponham em risco o bem comum.

Neste caminho, que considero ser importante trilhar, não começou bem o Primeiro-ministro. A fuga de informação que levou ao conhecimento público a lista dos ministros a empossar antes de ser apresentada ao Presidente da República, constitui um incidente irrepetível.

Do mesmo modo, as críticas à composição do novo governo não se fizeram esperar e não deixam de ser pertinentes. Diversos setores da sociedade portuguesa acusam-no de ser demasiado centralista, de incluir apenas personalidades da capital e de se cingir à “entourage” restrita do Primeiro-ministro. Mesmo dentro do Partido Socialista, nomeadamente na federação do Porto, há quem se manifeste descontente por não incluir ministros do Norte.

Apesar destes primeiros percalços, acredito que António Costa tudo fará para manter um bom relacionamento quer com o Presidente da República, quer com o Parlamento, já que as condicionantes que a guerra trouxe já chegam para lhe ocupar o tempo no sentido de encontrar soluções para uma governação que se antevê cheia de dificuldades.

Uma governação sujeita às consequências da guerra que, desde já, levou a uma subida generalizada dos combustíveis e de muitos produtos de primeira necessidade. Uma governação que tem de lidar com milhares de refugiados ucranianos, a quem tem de responder com eficácia e humanismo. Uma governação que não pode deixar de cumprir as suas obrigações internacionais, especialmente com os parceiros da União Europeia e com os membros da Aliança Atlântica. Uma governação que não pode falhar na boa aplicação dos fundos europeus, fundamentais para atenuar os efeitos da pandemia e revitalizar a economia portuguesa. Enfim, uma boa governação que não defraude os mais de dois milhões de portugueses que depositaram a confiança em António Costa e no Partido Socialista.

Neste tempo de tanta inquietação e de medo, pugno para que o novo Governo de Portugal esteja à altura das suas enormes responsabilidades e seja capaz de dar resposta cabal aos grandes desafios que lhe serão colocados.

A nível internacional, defendo e oro para que a guerra cesse rapidamente e que sejam encontrados caminhos justos e duradoiros de concórdia e de paz.

Em pleno século XXI, quando muitos pensavam ser impossível ver repetidos cenários das últimas grandes guerras e que a civilização não teria retrocessos, as imagens de destruição da Ucrânia desmentem tudo isto.

Basta de tanto horror e sofrimento.

Basta de ver milhões de pessoas em desespero que não poupa crianças, mulheres e velhos inocentes!


Autor: J. M. Gonçalves de Oliveira
DM

DM

29 março 2022