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O “Escadote” e a crítica construtiva – um exemplo a seguir

Num discurso recente, bastante eloquente, dizia o novo Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, que a VERDADE deveria ser a palavra de referência das Instituições, servindo igualmente de mote na construção mais alargada da sociedade. A verdade deve sempre prevalecer, independentemente de quem a emite. Não raras vezes, verifica-se uma certa predisposição para aceitar como verdadeiros alguns comunicados e alguma informação de quem exerce cargos de topo nas referidas Instituições, nomeadamente, nos clubes de futebol. No entanto, deve ter-se sempre em conta a outra versão, o chamado contraditório. O caráter dos indivíduos é depois consequência dos seus atos, do que é dito e do que é feito. Infelizmente, a classe dirigente que temos raramente assume as coisas más (os chamados erros), ao mesmo tempo que está sempre pronta para fazer suas as glórias alcançadas por todos. Conto que as novas gerações, com o acesso que têm à informação – e ao contraditório –, possam contrariar essa realidade. Nesse sentido, um grupo de jovens, inteligentes e apaixonados pelo clube da sua cidade – o nosso SC Braga – criou uma página, no Facebook, com o nome “O Escadote”, onde tem desenvolvido um trabalho notável de análise e de crítica construtiva, bem como o desenvolvimento de temas muito bem estruturados sobre a vida e a gestão do clube. Muitas das vezes, abordam temas mais polémicos, sem filtros, e com uma coragem que deve ser enaltecida, pois muito pouca gente o tem feito, trazendo a público verdades incontestáveis sobre alguns aspetos da gestão que está a ser desenvolvida por esta Direção. Na passada sexta-feira, organizaram uma tertúlia, com uma plateia numerosa, superior a muitas assembleias do SC Braga (o que de si já nos diz bastante), onde os associados e adeptos tiveram a oportunidade de discutir os problemas do clube, sugerindo inclusive soluções. Tenho dito variadíssimas vezes que a alma de um clube são os seus sócios, e, consequentemente, deve ter-se sempre em conta os seus anseios, as suas sugestões, essencialmente, o seu bem-estar, o que raramente tem sido considerado. A maior parte dos presidentes dos clubes, em Portugal, vivem numa bolha, rodeados de gente que lhes tem medo de dizer a verdade. Não gostam de ser contrariados. Dentro das Instituições (voltando ao início deste artigo), ninguém tem coragem para os enfrentar, para dizer a VERDADE; fora delas, verifica-se uma passividade que pode resultar em situações muito complicadas, como temos exemplo em diversos clubes nacionais. Importa lutar contra esta realidade. Por isso, um bem-haja aos jovens autores da página “O Escadote” pelo profissionalismo, pelo enorme contributo que têm dado para debate e esclarecimento de algumas questões importantes na vida do SC Braga, e que nunca se cansem de dizer o que pensam, com a elevação e a verdade a que nos habituaram.
Autor: João Gomes
DM

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31 março 2022