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O dinheiro sujo nas SAD

Não é novidade para ninguém a existência de investimentos avultados, na Europa, e nomeadamente em Portugal, em áreas importantes da economia, que vão desde o mercado financeiro e imobiliário até empresas de comunicação social e sociedades anónimas desportivas.

No entanto, tudo seria normal e benéfico para a economia desses países (de destino) se a proveniência dessas verbas não estivesse manchada de corrupção e atos criminosos.

Com efeito, tem-se assistido por essa Europa fora, e sobretudo nos países mais fortes na indústria do futebol, à aquisição de clubes por pessoas opacas e muitas vezes criminosas, ou por fundos soberanos de países que constantemente violam os direitos humanos.

Além desta realidade, uma outra tem vindo a prejudicar a competitividade das mais diversas ligas, uma vez que a disponibilidade de fundos destas “entidades” é tal que, na minha modesta opinião, acabam por distorcer por completo a verdade desportiva dentro e fora das quatro linhas.

Em Portugal, como não podia deixar de ser, também não existe qualquer tipo de obstáculo a estas aquisições, pois as Instituições que deviam zelar pela transparência e pelo desenvolvimento saudável dos clubes continuam a chutar para o lado.

Já tivemos, e provavelmente continuamos a ter, a detenção de alguns clubes por pessoas ou entidades de índole no mínimo duvidosa, bem como acionistas de peso, em clubes importantes, que adquiriram as participações diretamente ou através de empresas (que ninguém conhece os donos) com dinheiro sujo.

O futebol é a atividade desportiva que mais público reúne, à sua volta, e é gerador de emoções fortes. É considerada a grande paixão popular, e um dos maiores fenómenos sociais dos últimos 100 anos. Como tal, o povo tem que sentir que lhe pertence, e os sócios dos clubes jamais deverão permitir que a maioria das SAD deixe de lhes pertencer também. As emoções que o espetáculo em si desperta só poderão continuar se a competição for justa, impedindo que dinheiros, provenientes sabe-se lá de onde, desvirtuem completamente a sua essência.

E foi a crueldade de uma guerra injustificável, e a morte de tantos inocentes, que veio pôr a nu uma pequena parte da “sujidade” que se tem apoderado do futebol, e é lamentável que só se atue perante uma calamidade desta natureza. Mais lamentável ainda, será se em Portugal se permitir continuar a deixar caminhar o futebol para o abismo.

A beleza desde desporto mede-se pela sua capacidade de unir as pessoas, permitindo que estas se expressem livremente. Nunca se poderá permitir que se transforme quase exclusivamente num negócio, como para tal está a caminhar.


Autor: João Gomes
DM

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17 março 2022