twitter

O desconcerto de Costa

Costa apostou tudo no controlo do défice público para mascarar o falhanço da sua governação na economia portuguesa. Costa quer, ao mesmo tempo, que esta gazua continue a abrir as portas do financiamento barato e crie a possibilidade de renegociar a dívida com os burocratas de Bruxelas. Costa pensava que as agências de rating e a OCDE iam ser levados de ginjeira pelos “erros de percepção mútua” que Centeno engendrou ou ficarem embasbacadas com tamanho êxito. Mas não ficaram.

Não se deixaram enganar pela fantasia dos números para bem do rigor, da transparência e da qualidade governativa. Costa errou nas suas previsões e saiu derrotado, mais uma vez, por imprudência, por incapacidade e por manhosice. Assim, Portugal vai continuar no “lixo”, para regozijo, pasme-se, do presidente Marcelo e para a indiferença do cidadão comum. Portugal continua no “lixo”, quando havia condições para se superar este nível financeiro.

Costa falhou na governação, portanto. Falhou, porque o crescimento económico ficou abaixo do conseguido por Passos Coelho em 2015, para seu engulho, apesar das boas condições deixadas pelo anterior Governo para poder brilhar; Costa falhou, porque permitiu um aumento desmesurado da dívida públicas e em expansão; Costa falhou, porque os juros começam a aproximar-se da barreira fatal dos 4,5%; Costa falhou, porque o índice de pobreza não melhorou e o emprego jovem também não. Costa falhou, porque a austeridade continua activa e já não pode culpar Passos Coelho como tanto gostaria. Costa falhou, porque há cada vez mais trabalhadores a receberem o salário mínimo. A governação de Costa tem sido, enfim, baseada no embuste e na mentira.

Mas, a grande machadada para Costa foi a agência Fitch desmascarar o vozeirado “êxito” do défice. Para a Fitch foi conseguido à custa da quebra no investimento público que é o menor desde os anos cinquenta e com a aplicação de medidas extraordinárias. Por isso, no entendimento desta agência, o controlo do défice foi um exercício de fácil alcance e de pouco mérito. Mas a Fitch adianta, contudo, a receita para melhorar o rating: fazer reformas.

Só que fazer reformas implica mais rigor, mais competitividade, mais qualificação, menor carga fiscal, mais investimento privado e, essencialmente, menos ideologia. Em contraponto à exigência da aplicação de reformas, os parceiros da geringonça não as aceitam, pois associam reformas a austeridade. Não aceitam o rigor nas contas, pois preferem gastar. Não aceitam investimento privado e descida dos impostos, pois tais medidas beneficiam o patronatos e podem ajudar a esburacar mais o “Estado Social”.

Os parceiros da geringonça querem e gostam de reversões, reposições e eliminações. Querem mais direitos e menos deveres. Menos responsabilidades e menos obrigações. Mais funcionalismo público para fidelizar a sua clientela eleitoral. Querem muito dinheiro do BCE e com juros baixos e se possível não pagar. Querem, em última instância, debilitar o país. Costa, por isso, está arrasado. Está com a agenda política e económica gastas e envolvido com as mentiras de Centeno.

Costa, um radicalizado, deixou enredar-se nas teias dos radicais. Não tem iniciativa governativa. Não tem capacidade mobilizadora. Até o seu optimismo crónico está apagado. O que o safa, neste momento, é o seu porta-voz: o comentador Marcelo Rebelo de Sousa. Em suma, a avaliação de “lixo” da Fitch foi um tremendo murro no estômago na gabarolice e na tontice de Costa, se não foi!


Autor: Armindo Oliveira
DM

DM

22 fevereiro 2017