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Nós vamos sobreviver...

No dia 24 de agosto a nação ucraniana comemora sua festa nacional mais importante - o Dia da Independência.

A Ucrânia não conquistou a independência facilmente, como consideram alguns políticos, porque a luta pela independência durou muitos séculos. Houve diferentes acontecimentos ao longo deste caminho: quase conquistamos a independência, mas não conseguimos mantê-la, conseguimos a independência, mas não em todo o nosso território étnico. Desde então muitos ucranianos perderam as suas vidas nesta luta.

O sonho tão almejado dos ucranianos realizou-se em 1991. Após séculos de domínio de estados-vizinhos, a Ucrânia declarou a sua independência no final do século XX pela decisão da Verkhovna Rada da Ucrânia de 24 de agosto de 1991 e do referendo ucraniano em 1.º de dezembro do mesmo ano com a proclamação da Independência. Este é, provavelmente, o dia nacional mais importante e a maior conquista dos lutadores pela independência da Ucrânia.

Na comunidade mundial apareceu um novo estado independente – a Ucrânia – que declarou solenemente a sua intenção de construir o seu futuro com base nos princípios da democracia e respeito pelas normas, universalmente reconhecidas, do direito internacional, respeito pelos direitos humanos e liberdades.

O ano de 2014 tornou-se num ano verdadeiramente significativo para os ucranianos, muito trágico, mas ao mesmo tempo muito heróico, que traçou um rumo diferente na História da Ucrânia. Nas “chamas de Maidam” surgiu um novo fenómeno: a sociedade ucraniana encontrou o sentido pleno da sua própria identidade, dos seus próprios objetivos e ambições.

Apenas um Estado não quer perceber que o povo ucraniano deseja percorrer o seu próprio caminho, viver e trabalhar em paz e tranquilidade.

Hoje o nosso País está a reviver um ataque à Independência. Seis anos atrás, depois da Rússia ocupar ilegalmente a península da Crimeia e desencadear a guerra em Donbass (região leste da Ucrânia), a Nação Ucraniana foi obrigada a empunhar armas para defender a sua terra e a sua soberania.

As causas desta agressão russa são evidentes – o desejo da Ucrânia de aderir à UE e à OTAN, e a política de restauração da memória histórica e de promoção da língua e cultura ucranianas. Parar todos esses processos e transformar a Ucrânia numa província russa (em diferentes formatos possíveis), devolvendo-a ao império, é o objetivo estratégico da Rússia nesta guerra.

A agressão russa na península da Crimeia em 2014 era o primeiro passo da realização dos planos imperiosos de Moscovo contra o país vizinho. O referendo organizado pela Rússia na Crimeia foi apenas uma tentativa do Kremlin de justificar as suas ações nesta operação. O próprio Putin durante a entrevista num filme sobre a "operação na Crimeia" afirmou que a anexação tinha sido planeada com antecedência.

Mas a ocupação ilegal da Crimeia não foi reconhecida pelo mundo. Na Resolução 68/262 das Nações Unidas de 27.03.2014 a Assembleia Geral afirmou o compromisso pela integridade territorial da Ucrânia nas suas fronteiras internacionalmente reconhecidas e salientou a invalidade do referendo da Crimeia de 2014.

Esta posição da comunidade internacional irritou muito Moscovo e obrigou Putin a implementar urgentemente o plano «B» – começar a guerra híbrida em Donbass para desviar a atenção dos líderes mundiais do problema de Crimeia. Este plano começou com guerra informática e transformou-se num verdadeiro conflito militar com a participação do exército russo nos combates no território da Ucrânia e bombardeamento das posições ucranianas do território da Federação Russa.

Como resultado da agressão militar da Rússia contra a Ucrânia já morreram cerca de 10 mil pessoas e mais de 23,5 mil ficaram feridas. Cerca de 1.584.000 residentes da Crimeia e de Donbass foram forçados a fugir de suas casas como deslocados internos.

Desde o início desta agressão nas regiões de Donetsk e Lugansk morreram mais de 240 crianças, 56 estão desaparecidas e ficaram feridos (de acordo com várias fontes) entre 167 e 500 menores ucranianos.

A economia do Donbass está completamente destruída. O equipamento de muitas fábricas ucranianas outrora poderosas, foi trasladado para o território da Federação Russa. A situação das minas inundadas está à beira duma catástrofe ambiental grave.

Atualmente, permanecem ocupados 7,2% do território da Ucrânia.

No Leste, o trecho de 409,7 km da fronteira entre a Rússia e a Ucrânia fica fora do controlo do Governo da Ucrânia. As caravanas de “ajuda humanitária” que entravam da Rússia para as regiões de Donbass sem qualquer controlo por parte da Ucrânia ou por organismos internacionais convertiam-se em equipamento militar muito poderoso. Agora, em 16799 км² das regiões de Donbass controladas pela Rússia estão acumulados cerca de 480 tanques, mais de 900 veículos blindados, 450 canhões e obuses, 300 morteiros, 210 sistemas de foguetes de lançamento múltiplo e cerca de 700 diferentes sistemas de defesa antiaéreos, sem contar armamentos leves.

Nos territórios ocupados reinam o terror e o medo, as autoridades da ocupação actuam com métodos repressivos e de intimidação, violam de forma sistemática os direitos humanos e as liberdades. A situação crítica na esfera dos direitos humanos na Crimeia ocupada, foi condenada nas várias Resoluções da Assembleia Geral da ONU.

O povo ucraniano agradece à comunidade mundial pelo seu apoio, assistência e solidariedade com a Ucrânia. As sanções impostas pela comunidade internacional estão a suster a Rússia. Mas seria muito desejável que, tratando-se de enfrentar o agressor, a “força leve”, às vezes, fosse acompanhada por “força dura”.

A Ucrânia precisa da Europa e a Europa precisa da Ucrânia. A situação vivida pela Ucrânia poderá servir de alerta à Europa, se não estiver ciente da nova realidade. Muitas pessoas na Europa ainda não querem falar abertamente sobre a Rússia como um país agressor.

A esse respeito, vêm à mente as palavras de J.J.Rousseau, um dos destacados filósofos da humanidade: "ver a injustiça e ficar calado é como participar nessa injustiça".

Sucessora da URSS e do espírito imperial russo, a Rússia de Putin não pode ocultar a ambição expansionista, tanto na forma de guerras informáticas, quanto bélicas. E Putin já deu uma "justificação" para essas guerras futuras nos seus artigos e discursos "históricos", nos quais declarou acerca dos "presentes russos" que as ex-repúblicas soviéticas não retornaram depois de deixarem a União Soviética.

Temos de tirar as conclusões certas da História: se após o ataque da Rússia à Geórgia em 2008, fossem aplicadas a Moscovo sanções como as atualmente em vigor em relação à agressão contra a Ucrânia, é pouco provável que Putin se atrevesse à "aventura na Crimeia".

Estou confiante de que a Ucrânia sobreviverá e vencerá, porque a Rússia pode iniciar uma guerra, mas não conseguirá sair dela como um país vencedor. Estamos a defender a nossa terra e nossa Independência!

Destaque

A Ucrânia precisa da Europa e a Europa precisa da Ucrânia. A situação vivida pela Ucrânia poderá servir de alerta à Europa, se não estiver ciente da nova realidade. Muitas pessoas na Europa ainda não querem falar abertamente sobre a Rússia como um país agressor.


Autor: Anatolii Koval
DM

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24 agosto 2020