E multas ainda, mas muito pesadas, para todos os que levam o cão à rua e, na passagem, não têm vergonha nem pejo de deixarem os excrementos bem no meio dos passeios. Eu digo isto com enorme dor e revolta. É que eu ando a pé e, como pago as minhas contribuições, tenho o direito de ocupar os passeios – o meio da rua é para os carros, suponho. Mas como, se estes estão todos sujos? Se tenho de ficar marreca de tanto me inclinar para o chão procurando onde colocar os pés?
Mercê de assuntos meus, tenho passado, ultimamente, todos os dias na Rua Direita (que, para não fugir à regra geral, até é torta, o que não me incomoda nada), Cruz de Pedra, Rua Cardoso Avelino até à praça Camilo Castelo Branco. Isto tudo na freguesia de Maximinos. Pois bem, não podem calcular a quantidade de cocó de cão, de pontas de cigarro, de papéis, latas vazias de refrigerantes e cerveja, garrafas de plástico, etc, que encontro no meu percurso. A rua Direita é estreita, quase sempre com carros estacionados de um dos lados. Os passeios, além de irregulares, são estreitíssimos e o cocó lá está, ou já calcado ou ainda muito direitinho, esperando que alguém o calque. E os passantes? Pelo meio da rua ou, como eu, curvados, à procura de espaço limpo para pôr os pés?
Na passada quarta-feira reparei num receptáculo de colocar o lixo estroncado e o seu conteúdo espalhado pelo chão. Ontem foi feriado, bem sei. Hoje, ao passar, reparei que tudo continuava na mesma: o receptáculo estragado e o lixo no chão. Eu, se morasse lá perto, já o tinha varrido, embora concorde que ninguém tem essa obrigação, já que pagamos e bem, as tarifas do lixo. A praça Camilo Castelo Branco até tem um relvado com aparelhos, suponho, para desportistas. Nunca lá vi ninguém, apenas lixo pelo meio da relva e junto ao passeio. Coitado do Camilo! Vale-lhe ser cego e, enfim, já por cá não andar, mas apesar disso merecia mais respeito, ou não fosse ele um dos grandes da nossa Literatura.
Então, para esta gente desinteressada do civismo, da higiene, da preservação do ambiente, desinteressada dos outros que não sejam eles próprios, para esta gente que continua a não querer sair do terceiro ou quarto mundo em que vive, que fazer senão a aplicação de uma multa?
Toda a gente na cidade sabe que em véspera de feriado, à noite, não passa o carro do lixo. Mesmo assim, eu encontro sempre, na caixa do correio, um aviso da Agere. Eu e todos os demais. Pois na quarta-feira, quem passasse nas ruas via por todo o lado sacos de lixo, na beira do passeio ou encostados às árvores. Puseram-nos sabendo perfeitamente que ali ficariam, à mercê da bicharada, até à noite do dia seguinte. Isto aguenta-se? Não, acho que não. Todos temos direito a uma cidade limpa e todos temos obrigação de denunciar casos destes. Quem não denuncia, é porque concorda ou, então, acha mal, mas como não é nada com ele… deixa andar. Eu estou cansada de deixar andar. É que isto de deitar lixo para o chão, só não vê quem não quer ver, está a tornar-se uma praga! A entrada da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva é o local escolhido pelos jovens que para lá vão estudar, para satisfazerem o viciozinho e, cigarro fumado, ponta para o chão. E, pasmem, mesmo junto deles, alguns até nele se apoiam, está um enorme cinzeiro, um cinzeiro gigante! Uma vez que eu ia a sair da Biblioteca, olhei, varada, para o chão e disse-lhes: “acham bem isto? Não está aí um cinzeiro? Agora vou com pressa, mas para a próxima que veja este chiqueiro, vou buscar uma vassoura e obrigo-vos a varrer ou varro eu mesma!” Ficaram atrapalhados, sorriram, pediram desculpa. Aprenderam? Não completamente. Com menos intensidade, mas na entrada da Biblioteca ainda aparecem sempre algumas piriscas.
Autor: Maria do Céu Nogueira
Nós, no primeiro mundo?
DM
8 outubro 2017