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No dia do Padroeiro

1.Sai este número do «Diário do Minho» no dia em que a Igreja celebra a memória de S. Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas. Viveu no século XVI, foi bispo de Genebra e procurou evangelizar através de folhas volantes.

É oportunidade para enaltecermos o trabalho dos bons profissionais da Comunicação Social e solicitarmos ao celeste Patrono a sua intercessão no sentido de que tenhamos cada vez mais e melhores jornalistas.

2.Os jornalistas que o sabem ser são muito importantes. Sempre o foram mas hoje muito mais.

Precisamos de cidadãos cada vez melhor informados para que exerçam o direito/dever de cidadania com cada vez melhor conhecimento da realidade.

Para isso são importantes jornalistas verdadeiramente isentos. Que se libertem do complexo de esquerda, uma vez que nos pretendem fazer crer ser nessa área que se situam os verdadeiros intelectuais. Do jornalista exige-se, acima de tudo, que seja um bom informador.

São importantes jornalistas que se não poupem a esforços no sentido de informarem de tudo o que o cidadão comum precisa de saber, com verdade e a mais possível objetividade. Que ponham acima de tudo o serviço à comunidade, ainda que, para o fazerem, tragam a público verdades por alguém consideradas incómodas.

Jornalistas que produzam um trabalho onde se distingam claramente os factos e as opiniões, fiéis ao princípio de que os factos são sagrados e os comentários são livres.

Jornalistas que sejam cuidadosos na escolha das fontes de informação. Que resistam à tentação da pressa e do sensacionalismo, conscientes de que é preferível ser o segundo a dizer a verdade do que o primeiro a mentir.

Jornalistas que forneçam uma informação o mais possível completa e se não limitem a trazer a público o anedótico ou privilegiem o anedótico.

Jornalistas que sejam imunes a qualquer grupo de pressão. Que se não deixem influenciar pelos interesses seja de quem for. Que não sejam a voz do dono, do partido ou do grupo de amigos, mas da própria consciência, que procuram ter bem formada. Amicus Plato, magis amica veritas, dizia-se noutros tempos. Acima da amizade às pessoas está o amor à verdade.

Jornalistas animados pelo espírito de servirem e não de se servirem ou servirem clientelas que deles se procuram servir.

Jornalistas que não assumam como tarefa a construção da imagem de pessoas que lhes são afetas.

Jornalistas que utilizem processos legítimos para a recolha da informação.

Jornalistas que exijam o respeito pela sua liberdade, usem bem da sua liberdade, reconheçam os legítimos limites da liberdade.

Jornalistas que respeitem os princípios éticos que orientam o exercício da profissão e sejam fiéis ao próprio código deontológico.

Muitas vezes é missão do jornalista fazer sínteses. Resumir discursos e intervenções. Se não há o devido cuidado pode-se dar uma ideia errada do que a pessoa realmente disse. Pode-se correr o risco de salientar o secundário. De destacar frases isoladas do contexto que não contribuem para a reta informação de quem lê, ouve ou vê.

Hoje é importante o jornalismo de investigação. Que não deixe de ser feito, sempre com os cuidados exigidos pelo amor à verdade e à possível objetividade.

3.É necessário dar aos jornalistas as condições necessárias para exercerem convenientemente a sua missão. Para que atuem com a indispensável liberdade e independência.

Que se lhes não ponham obstáculos injustificáveis.

Que o seu trabalho seja devidamente reconhecido.

Que não sejam vítimas de represálias – nem eles nem os meios de comunicação para que trabalham – pelo facto de terem trazido a público verdades que injustificados interesses desejavam permanecessem ocultas.

4.Que o jornal seja sempre uma credível fonte de informação. Que através dele se possa fazer história. Às vezes… Menos por culpa do jornalista do que de quem o «informou», colocando acima de tudo os próprios interesses e conveniências.


Autor: Silva Araújo
DM

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24 janeiro 2019