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No começo de novo ano

Passado mais um ano que parecia ainda há pouco ter começado, eis que já nos encontramos na segunda semana de 2019. Um novo ano onde abundam dúvidas a nível global e, internamente, preenchido por três eleições (Europeias, Legislativas e Regionais da Madeira) que irão determinar seguramente o nosso futuro coletivo.

Na verdade, examinando as mais variadas opiniões sobre o que irá acontecer no mundo neste ciclo translacional que ainda está no seu princípio, ninguém arrisca fazer grandes previsões.

Internacionalmente, o comportamento de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos da América, tendo em consideração a importância deste grande país na conservação dos equilíbrios entre as grandes potências para a manutenção da paz mundial, é motivo de vários comentários e causa de alguma inquietação.

De igual modo, o fantasma do terrorismo, o drama dos refugiados, a ascensão meteórica de populismos de diversas matrizes, a indefinição do caminho do Reino Unido e as recentes manifestações de rua, protagonizadas por movimentos independentes dos partidos políticos e sindicatos de que é exemplo o apelidado de “coletes amarelos”, são assuntos que merecem redobrada atenção e muitos receios. Contudo, se olharmos para os vários conflitos no Médio Oriente e em África, para a situação da Venezuela, para o arrastar da discórdia entra a Rússia e a Ucrânia, ou para as incertezas desse grande país irmão que é o Brasil, facilmente concluiremos que em várias latitudes existem focos de tensão e turbulência causadores de insegurança e suscetíveis de ameaçar a paz universal.

A nível interno, apesar da onda de otimismo que se pretende passar, se mergulharmos na realidade, não haverá certamente tantas razões para sorrir. O desinvestimento em serviços públicos de primeira necessidade foi um facto que não pode ser escamoteado. As reformas indispensáveis para um maior crescimento económico foram suspensas e a dívida externa, em valores absolutos, não parou de crescer, tendo-se desaproveitado as circunstâncias externas favoráveis de que o país beneficiou nos últimos anos.

Agora que a economia parece arrefecer, em ano de três eleições e de outras tantas ou mais tentações para manter o poder, em tempo de balanço e de distribuição de dividendos pelos parceiros de uma solução governativa nunca antes experimentada, veremos o que o futuro nos reserva!

A par de todo este sobressalto, assistimos a uma fragmentação partidária, ao aparecimento de novos atores políticos e a uma degradação da qualidade da democracia suscetíveis de alterar substancialmente o xadrez a que nos fomos habituando.

A sociedade contemporânea corre sérios perigos. As relações interpessoais são cada vez mais virtuais, o individualismo faz caminho, tudo é relativo e os valores que sempre orientaram a sã convivência em comunidade são permanentemente menosprezados. Estas profundas alterações sociais podem fazer-nos mergulhar em abismos conhecidos de cenários de outras épocas.

No prelúdio de mais um ano em que a arrogância do dinheiro subsiste, é essencial manter a serenidade e preservar a esperança. É tempo de retomar princípios e valores indispensáveis à salutar convivência humana, combater a pobreza e lutar pela paz.

Na era da internet, da comunicação instantânea e dos excecionais avanços técnicos e científicos nenhum ser humano deve ficar refém de uma minoria possuidora do poder e da fortuna, tantas vezes obtida à custa da exploração dos seus semelhantes.

Aproximam-se tempos de grandes decisões. É preciso não desanimar e não se deixar seduzir por promessas vãs. Mais do que nunca, é necessário saber ouvir quem fala claro, com realismo e com verdade. É imperioso que ninguém se abstenha de dar o seu contributo, valorizando os bons princípios da honra, da justiça, do trabalho, da solidariedade e da paz. Será certamente a melhor forma de encarar com esperança o ano que ainda agora começou.

É com este espírito que cumprimento os leitores do Diário Minhoe para todos expresso votos de um 2019 muito feliz.


Autor: J. M. Gonçalves de Oliveira
DM

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8 janeiro 2019