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“Não metas dinheiro em saco, sem ver se tem buraco”…

A Câmara Municipal de Braga, durante o ano em curso, não se livra da sanguessuga financeira alocada às despesas e encargos do Estádio Municipal e à parceria dos sintéticos, no valor calculado de 18 milhões de euros que serão subtraídos ao cofre da autarquia, verba que teria muito mais utilidade para “socorrer” outras necessidades básicas ou prioridades sociais, logísticas e estratégicas em matéria de obras públicas.

Este desgaste financeiro contemplado no orçamento municipal para 2019, cria, naturalmente, grandes dificuldades no cumprimento atempado de obrigações de tesouraria, não vislumbrando mecanismos para se libertar de uma herança pesada de inexplicáveis negócios outrora contraídos durante a gestão socialista.

Só o Estádio da “Pedreiras” consome uma despesa de quase 12 milhões ao proprietário, com um inquilino a pagar ao senhorio uma alegada renda simbólica de 500 euros por mês, e os quase quarenta sintéticos numa concessão de Parceria Público-Privada, que reclama à autarquia bracarense uma insuportável soma de 6 milhões de euros aproximadamente.

Os bracarenses, gradualmente, vão percebendo o erro crasso da construção de um novo estádio de futebol sem sustentabilidade económica e com frágil actividade, não fosse o suporte monetário assegurado pelo Município para dar continuidade à sua manutenção, com todas as consequências evidenciadas na sangria da saúde respiratória da tesouraria.

O presidente da Câmara, Ricardo Rio, considera e muito bem, o Estádio Municipal como um “objecto de colecção e de arte, que representa uma factura muito pesada para o município e sem qualquer tipo de oportunidade de rentabilização”.

O projecto, inicialmente com o custo de 157 milhões de euros, segundo o Tribunal de Contas, ascende já a 177 milhões, mais 20 milhões resultantes dos efeitos de três sentenças judiciais em condenação transitada, distribuídas ao pagamento de 6 milhões ao consórcio ASSOC/Associados, responsável na execução de trabalhos e obras, 4 milhões ao arquitecto Eduardo Souto Moura e os restantes 10 milhões a outro consórcio, pressupondo-se em fase de “batalha” judicial.

O líder da Câmara Municipal de Braga tem fortes motivos para “despachar” o estádio das “pedreiras” e a dissolução das PPP, classificando no geral como um “negócio ruinoso” e “um sorvedouro de dinheiros públicos”.

Uma crise financeira pode afectar e influenciar psicologicamente uma equipa gestora que se vê obrigada a desperdiçar os seus rendimentos para liquidar os erros cometidos no passado devido à incapacidade de percepção que o futuro de tesouraria, não seria risonho na liquidez das obras megalómanas “suspeitas”, executadas com ganância protagonista e complicando os potenciais sucessores na continuidade de um ciclo de vida condenado às “dores de cabeça” ou magia inspirativa, como arranjar dinheiro todos os meses para respeitar compromissos de pagamento de muitos milhões de euros, quando, neste caso em apreço, tanta falta fazem para servirem outros interesses mais benéficos para os cidadãos bracarenses.

O império cor-de-rosa deveria usar como apanágio a sabedoria popular “não metas dinheiro no saco, sem ver se tem buraco”, evitando a “corda da garganta” na tesouraria municipal de Braga.


Autor: Albino Gonçalves
DM

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7 janeiro 2019