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Modas deseducativas

Recordando os primeiros textos bíblicos, logo no capítulo inicial do Génesis, podemos ler que “Deus criou o homem à Sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: “Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra” (Gén 1, 27-28).

Se o homem é imagem de Deus, deve espelhar na sua conduta facetas divinas. Uma sobressai, a liberdade com que realiza os seus actos conscientes, que exigem, obviamente, para serem bem executados, o concurso da vontade, que assim o auto determina para levar a cabo as tarefas que lhe incumbem.

Não tenhamos dúvidas que entre a vontade humana e a divina há uma diferença fundamental. Deus é perfeito em Si e nada faz dum modo compulsivo ou limitativo da sua voluntariedade. Por exemplo, a criação não é um acto que implique qualquer necessidade ou aperfeiçoamento do ser divino. Deus cria gratuitamente, dando origem a criaturas com diversas capacidades de O entender e de compreender o fim para que foram criadas.

Das terrenas, apenas o ser humano pode conhecer esse mesmo fim e o modo de conduta que o leva a alcançá-lo. Como é óbvio, se Deus traçou esse fim, não deixou de indicar-lhe como deve ser o seu procedimento para o atingir. Fazer a vontade de Deus é, pois, o caminho certo para esse efeito...

Voltando ao acto criacional a que nos referíamos atrás, aí se diz, de forma clara, que o criou “homem” e “mulher”. Não há capacidade de escolha: ou se é homem ou se é mulher por natureza e, como se deduz com evidência, por vontade expressa de Deus.

E nessa vontade existe uma razão muito concreta, que logo a seguir é explicitada pelo próprio Deus: “Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra”. Tudo isto parece lógico, perante o panorama imenso das possibilidades que a terra oferece. Seria incapaz um mero casal humano de aproveitar toda a fertilidade e riqueza que ela lhe apresenta. Por isso, Deus convida “os nossos primeiros pais”, como habitualmente lhe chamamos, a procriar para que surjam muitos seres humanos e se espalhem por todo o vastíssimo orbe que Deus lhes facultou para viver.

Procriar implica uma vida sexual activa, que corresponde aos desígnios divinos para o homem. Não é por acaso que Deus lhes dá essa possibilidade e a abençoa. Mais ainda, confere ao acto próprio um prazer forte e atractivo, que serve para unir mais intimamente o homem e a mulher que o praticam, numa entrega reforçada – se corresponde à orientação divina –, pela fidelidade e unidade que os dois devem viver entre si.

Deus também determinou que o homem dominasse a terra. Para tanto, fá-lo-ia através do trabalho. Já no Génesis se diz que Adão e Eva viviam no paraíso para “o trabalhar e guardar” (Gén 2, 16). Não era para o espasmo e a ociosidade que Deus os convidava, mas para exercitarem os seus talentos no sentido de transformar, aproveitar e potenciar o que a natureza lhes dava de forma generosa e espontânea.

A preguiça é a grande inimiga da laboriosidade. Um calaceiro vive à custa dos outros e exige que respeitem o seu marasmo e boa vida. É um ser asqueroso, injusto e egoísta.

Algo de parecido sucede quando da sexualidade humana se desliga a sua função procriadora e transforma a energia que a permite, numa espécie de “aparelho recreativo” e só. Perde-se o sentido da honestidade, da pureza de vida, da relação respeitosa com as outras pessoas. E cultiva-se com veemência a infidelidade, o prazer acima de tudo, a prostituição, a escravatura sobretudo da mulher, o trato do outro como um mero objecto de gozo, etc.

Diz a Bíblia que o “vinho alegra o coração dos justos”. Nossa Senhora, em Caná, como que “obrigou” o seu Filho a fazer o milagre de transformar a água em vinho naquelas bodas inesquecíveis. Mas corre-se o risco de se abusar dessa bebida tão agradável, dando-se então lugar ao alcoolismo, com todo o rol de desgraças que ele arrasta consigo.

Assim também com a sexualidade. Um caso: que um adolescente de catorze anos, segundo li num artigo de conceituado psiquiatra em jornal digital de referência, convide uma sua professora a fazer sexo com a maior desenvoltura, revela como esta questão se transformou numa mixórdia social. Claro que a professora reagiu como devia.

Mas ele ainda insistiu: para que aceitasse pelo menos durante dois minutos. É triste este panorama e revela que se a vida sexual é considerada unilateralmente uma espécie de jogo aliciante e prazenteiro, toda ela se degrada e acaba por fazer do ser humano um joguete das paixões mais asquerosas. E nas nossas escolas públicas, em muitos casos, estes assuntos são tratados com a maior leviandade.


Autor: Pe. Rui Rosas da Silva
DM

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4 março 2018