Na última semana, todos tomamos conhecimento de uma eventual intenção de se referendar a venda do Estádio Municipal de Braga, situação que em minha opinião até poderá ocorrer, refiro-me particularmente ao referendo, já que a existência de compradores verdadeiramente interessados levantará sérias dúvidas.
Já tive a oportunidade de referir neste espaço de opinião, e já lá vai quase uma década, de que este Estádio em termos funcionais apresenta “muitos pontos negativos, dos quais se destacam entre outros: a difícil acessibilidade ao local a pé ou em veículo; a distribuição e locais de estacionamento; as bancadas com acesso ou inferior ou superior e que exigem uma grande deslocação por parte de quem quer chegar ao seu lugar; poucos elevadores para as pessoas de mobilidade reduzida ou idosos; espaço muito frio devido à sua localização; e áreas administrativas sem luz natural ou inadequada”.
Por estas e outras razões, tais como a dificuldade legal e estrutural em mudar o perfil e funcionalidade do Estádio, parece-me pouco sério aparecer alguém, nomeadamente na Comunicação Social, a dar como certa, uma proposta de compra com valores e condições de aquisição. Acho que o assunto é demasiadamente sério para de forma intencional, ou não, intoxicar a opinião pública.
Outra questão que nada serve os interesses da Cidade, das suas pessoas e suas instituições, é lançar para o debate observações e informações quantificadas, sobre custos operacionais, de manutenção e rendas do espaço, que não correspondem à realidade, e que diretamente envolvem o Clube, que para todos os efeitos, é “quem” dá “vida” e “cor”, a uma Instalação Desportiva fria e cinzenta, que sem os seus atuais e tradicionais operadores, já estaria num estado acelerado de degradação e, provavelmente, irrecuperável.
Todos sabemos o que acontece a edifícios que perdem a sua função regular ou quando são abandonados. Por sorte, para a imagem da Cidade, do País, e mesmo dos seus Arquitetos e Engenheiros, este estádio tem um inquilino que, também com muitas contrariedades, vai valorizando a sua utilização e promovendo a Cidade por esse mundo fora.
A situação atual, muito complexa do ponto de vista financeiro para a Autarquia, pelos custos finais do projeto e responsabilidades bancárias que nunca mais acabam, são fruto de uma unanimidade da classe política aquando da construção do Estádio Municipal, de um Arquiteto que aproveitou a situação e deu largas à imaginação, e de um dono da obra que não percebeu o que era um Estádio e que função deveria cumprir.
Sob pena de não se cometer mais erros, devem as instituições da Cidade, e seus responsáveis, estudar cuidadosamente a situação atual antes de se tomar qualquer decisão que possa agravar ainda mais este problema. Haverá certamente caminhos mais fáceis de tomar se as instituições trabalharem de forma conjunta e para o bem comum, e sobretudo, que esta lição sirva de exemplo para todos, que tenhamos mais participação pública em vez de referendos.
Autor: Fernando Parente
Mais participação pública,melhor futuro
DM
15 fevereiro 2019