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Mais igualdade e mais equidade

Por vezes não conseguimos entender facilmente o comportamento dos nossos governantes, decidindo de forma diferente para questões muito semelhantes. Os fatores “distração” e “desconhecimento” não podem ser motivos para criar injustiças de quem deve dar o exemplo. Muitas vezes, também o nível dos assessores deixa muito a desejar, e o seu recrutamento não é feito da melhor forma. Coloca-se muita gente desqualificada e desconhecedora em matérias importantes para a governação. São muitos os assessores a quem tem que se dar uma ocupação remunerada porque não terem sido eleitos a nível nacional ou local, ou serviu interesses partidários numa associação jovem ou de estudantes e, desta forma, o Partido Político chama a atenção que há que ocupar e compensar estes agentes, mesmo quando não são necessários. Paralelamente a este fenómeno, parece ter crescido de forma desenfreada uma governação e tomadas de decisão pelo “share”, com máquinas bem preparadas de estudos de opinião e avaliações do que é mais valorizado nas redes sociais, o que nos leva a perceber que muitos líderes políticos governam para um clientelismo bastante bem identificado e ampliado como uma comunicação social pouco preparada do ponto de vista ético e cultural. Sugere-se uma auto-avaliação séria do comportamento dos governantes e organizações do Estado com bastante frequência, não caindo em modelos de populismos com a ancoragem do poder em redes de troca de favores. Em Portugal tornou-se fácil governar para 2 áreas metropolitanas, para o litoral, para determinados grupos económicos e financeiros, para determinados escritórios de advogados, para os adeptos de uma determinada modalidade desportiva ou para os de 3 clubes desportivos, e para os que normalmente têm a “sua vida e dos seus” desde já assegurada. Difícil em Portugal parece ser o combate às desigualdades sociais, ser tolerante com os frágeis e forte com os arrogantes, garantir que ninguém fique excluído, olhar para a Constituição da República e não para grupos de interesse. Na passada semana, um grupo de grandes portugueses e portuguesas deslocou-se a Baku, Azerbaijão, para participar no Campeonato do Mundo de Ginástica Acrobática, de onde voltaram com 3 medalhas de ouro e 4 de prata. Resultado que só está ao alcance de pessoas com características excecionais e forjadas no trabalho, esforço, persistência, resiliência e inteligência ao mais alto nível. No desporto, quando isto acontece e a bandeira de Portugal sobe ao som do nosso hino, parece leve, na realidade tem apenas 200 gramas, mas na realidade pesa mais de 200kg, e só gente com uma força herculiana a consegue mover na vertical. Se eu fosse Presidente da República organizaria uma sessão para Condecorar quem se sagrou Campeão do Mundo de Ginástica Acrobática (atletas e equipa técnica). Uma oportunidade para o representante máximo do país destacar, uma vez mais, a excelência desportiva nacional a nível mundial, valorizar estes resultados como um exemplo para o desporto feminino e uma inspiração para outras modalidades, realçar que é possível ter resultados ao mais alto nível no desporto e nos estudos, que no desporto temos e podemos ter ainda mais treinadores de topo mundial com uma sólida formação técnica e académica e, finalmente, mostrar que o nosso Presidente olha e trata todos os portugueses e portuguesas com igualdade e sobretudo com equidade.
Autor: Fernando Parente
DM

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18 março 2022