Amanhã, 27 de outubro, perpassam 37 anos, após a morte (Rio de Janeiro) do insigne Professor Doutor Marcelo Caetano (1906-1980).
A noite dos Povos sempre foi e será iluminada por estrelas humanas, que nela brilharam com luz mais ou menos rutilante...
No século XX da noite portuguesa, uma dessas luzes que brilharam e não se extinguiram, exceto para cegos, teve por nome Marcelo Caetano. Foi grande na luz que irradiou, quer na cátedra quer na governação e amor-pátrio. Cabeças assim, quantas mais houver em Portugal melhor!
Senão vejamos: filho de um funcionário público, Marcelo Caetano entrou na Faculdade de Direito aos 16 anos, licenciou-se aos 21, doutorou-se e passou a catedrático aos 27, lecionando magistralmente: Direito Administrativo, Constitucional, Penal, Corporativo. Aos 38 anos foi Ministro das Colónias, mais tarde Ministro da Presidência e Chefe do Governo.
Reformou bastante, defendeu a mudança na continuidade e continuidade na mudança, alargou a liberdade associativa, começou a abrir e dilatar a possibilidade e conveniência de participação de todos na construção do bem comum...
Depois, bem, depois, a história de Portugal abriu outro capítulo com o 25 de abril em 1974. O Leitor sabe-o tão bem ou melhor que eu. Dourado para uns, prateado ou acinzentado para outros, sombrio para não poucos, foi, no entanto, golpe traiçoeiro e fundo para Marcelo Caetano, que expatriado para o Rio de Janeiro, aí lecionou, escreveu, sofreu, faleceu, tendo preferido a sepultura nessa Pátria, que soube aproveitá-lo e acolhê-lo, em vez da Pátria que lhe dera berço e lhe tecera espinhos...
Servira esta, em vida, tempo e circunstâncias muito próprias, com tanta ou maior dignidade quanta a de muitos “Servidores” vindouros, cujos pés são bastante diminutos em dimensão para preencherem as peugadas deixadas por aquele...
Termino, recordando o elogio feito pelo escritor Joaquim Silva Pinto, ligado à Governação entre 1968-1974, feito no seu livro há pouco publicado: “De Marcelo a Marcelo”. Diz ele (págs. 9 e 10): “(…) foi um político honrado, patriota, esforçado, competente, também injustiçado”. Este “fato” servirá a muitos...?! Talvez não...!
Comentários para quê?! Fala alguém que com ele colaborara e até com Mário Soares... Vivera por dentro o “antes” e o “pós” 25 de abril... Tem 82 anos, vive ainda com lucidez... Não esquece “Valores”, relacionando bem as épocas...
Autor: Nunabre
“LUZ” que ainda brilha!
DM
26 outubro 2017