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Linhas de um candidato

As linhas de escrita deste artigo vão diretas à análise das condições de um candidato em Portugal e da montanha de dificuldades de quem ousar enfrentar o miserável sistema instalado.

O SC Braga tem tido um começo de época de excelência e se a avaliação fosse apenas pelo que as equipas produzem no relvado, havia um candidato forte a conquistar títulos, em especial o de campeão nacional, que simboliza o sonho de todos os braguistas. Mas, infelizmente, todos temos consciência de que se joga muito para além do retângulo geométrico, coberto de verde.

De assinalar uma estreia positiva na fase de grupos da Liga Europa, ao vencer pela primeira vez na Suécia, desta feita frente ao bicampeão Malmö (0-2), que tinha vindo para esta competição depois de eliminado na Liga dos Campeões. Os Gverreiros do Minho jogaram como equipa grande, dominando por completo o jogo e vencendo com toda a clareza de quem marcou quatro golos, apesar de só dois terem sido validados, graças ao bom uso internacional da tecnologia no apoio às decisões da arbitragem. Os golos do inédito triunfo foram obtidos pelo estreante Bruno Rodrigues e por Ricardo Horta, que em seguida mandou calar, através de um gesto, a voz de alguns abutres sempre prontos para atacar.

Ora, o ato do grande Capitão bracarense foi objeto das mais diversas teorias, havendo inclusive quem se disponibilizasse a realizar um estudo de caso sobre isso. Gente pouco ocupada e que ainda não conseguiu digerir o facto de o jogador continuar em Braga, onde mantém um nível elevado, que atesta o seu profissionalismo e a sua fortaleza mental, para aguentar tanta gente a falar ou escrever sobre si, por vezes ultrapassando os limites do razoável e da decência.

No regresso às competições internas, o SC Braga preparou com sorrisos de quem se sente feliz a deslocação sempre complicada ao terreno do Rio Ave. Na antevisão do jogo, o treinador Artur Jorge, teve na sala de imprensa apenas dois jornalistas vindos de fora do clube, o que representou um claro desrespeito pelo atual segundo classificado da liga portuguesa. Esta situação causa natural desagrado em Braga, pois este tratamento tão desigual com os clubes que eles (jornalistas) querem igualdade é inaceitável.

Indiferentes a tão residual presença de jornalistas, os adeptos braguistas responderam ao desafio da sua equipa e esgotaram todos os bilhetes disponíveis, pelo que o SC Braga voltou a ter um acompanhamento em massa num jogo fora, algo que passou despercebido à transmissão televisiva que, pasme-se, não apresentou uma única vez o espetáculo dado nas bancadas, onde houve um apoio permanente e alguns momentos verdadeiramente arrepiantes. Esta Legião forte faz-se da união entre o trabalho competente da equipa e o apoio dos seus apaixonados adeptos, algo que os órgãos de imprensa com conteúdos multimédia se esforçam por ignorar.

O jogo terminou com o sexto triunfo consecutivo dos arsenalistas, o quinto na liga, frente a um Rio Ave que coloca sempre muitas dificuldades nos jogos ali disputados. Os primeiros oitenta minutos permitiram três golos, que foram festejados a preceito, e outras oportunidades de aumentar o resultado, que o guarda-redes rioavista impediu com a sua ótima prestação.

Os últimos minutos trouxeram uma incerteza inesperada quanto ao resultado, pois os vilacondenses reduziram a desvantagem e perto do fim ainda marcaram um segundo golo, repleto de dúvidas quanto à sua legalidade, e ainda hoje os brácaros esperam pelas linhas do fora de jogo que validem a decisão, algo que deve merecer uma reação oficial. A tecnologia interna parece que, às vezes, serve para ajudar alguns e prejudicar outros.

Nota final para a visita do líder da liga alemã à Pedreira, onde reside um SC Braga cada vez mais forte e pronto para enfrentar as imensas dificuldades que lhe são colocadas. Que seja mais uma grande noite europeia.


Autor: António Costa
DM

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15 setembro 2022