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Lições e ilações

Nos últimos tempos a quantidade de episódios relacionados com a violência no desporto, dentro e fora dos espaços desportivos, tem tido uma gravidade assinalável. O estado do desporto é consequência e espelho das realidades sociais. E hoje, no nosso País, o Desporto de formação depende, em muito, dos pais que acompanham, que pagam, que ajudam, que promovem, ainda assim, não pode ficar refém dos seus maus exemplos que se projetam da bancada. Muitos clubes adotaram medidas que penalizam os pais. Na última semana, soube de um caso, indigno, em que os pais foram punidos, pelo seu comportamento nas bancadas, e ficaram proibidos de assistir aos jogos dos seus filhos (?!). Vergonhoso! O nosso panorama desportivo precisa de ser abanado, de ser remexido, incrementado, melhorado, discutido, com coragem, mas não precisa de "comadres zangadas", de divisões, fanatismo, radicalismo, xenofobia e de cretinice. Para isso acontecer, precisamos de pais que eduquem, que manifestem apoio, que incentivem, que promovam. Os nossos filhos/atletas só precisam de ambientes positivos, de linguagem apropriada, de incentivo, de desportivismo. Eu sei, que alguns que leem os artigos que aqui escrevo devem estar a pensar: "Que cliché: o desporto precisa de desportivismo (?!)…" Em Portugal, o desporto está empestado de demasiados "bad boys". São alguns bárbaros fanáticos, que nas televisões acicatam, com discursos facciosos e inflamados, que não fazem mais que levantar suspeições sobre os adversários e justificações sobre as suas cores e próprias maleitas. São adeptos que insultam, agridem (às vezes, agentes do seu próprio clube), nas bancadas, nas ruas, nas instalações desportivas, de forma gratuita e bárbara. São treinadores, diretores e jogadores que não respeitam nada nem ninguém. Pais que dão um péssimo exemplo, na linguagem, nos atos e na forma como assistem aos jogos. Quando não podemos contar com os aliados que podem fazer a diferença, isto tem que parar e temos que refletir seriamente o que andamos aqui, todos, a fazer. Temos que ser capazes de empenhar a comunidade desportiva e política num projeto ou numa tarefa que impulsione as capacidades e o talento dos atletas, promovendo um sentimento de satisfação e de prazer em torno da prática desportiva, quer como interveniente, quer como espectador, punindo, severamente, todos os atos em caminhos contrários. A disciplina é como o "colesterol": a "boa", facilita a vida, melhora os comportamentos e a "má" cristaliza os conceitos, deforma os valores e impede a ambição de chegar mais alto. Os comportamentos dos nossos filhos são reflexo da sua perceção do mundo que os rodeia, e, nós, pais, somos das figuras mais observadas e escrutinadas. Pelo que, muitos pais ainda não perceberam os potenciais e reais valores do Desporto, e ainda não conseguiram entender os efeitos que poderão exercer nos seus próprios filhos, nomeadamente, na forma respeitosa como deveriam enfrentar a sua atividade desportiva. A alguns pais, pela forma como se manifestam e se comportam, durante as competições, devia-lhe ser retirado o estatuto de "educador" e "encarregado de educação". A este respeito, Fernando Savater, escritor espanhol, escreveu: "evita o que te encerra e o que te enterra".
Autor: Carlos Mangas
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18 janeiro 2019