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Instinto de sobrevivência nos animais e nos humanos

É bem sabido que o instinto de sobrevivência é comum aos racionais e aos irracionais. A Natureza dotou as moscas e outros insectos com 360º na visão. Isto é, uma mosca consegue ver o que se passa atrás dela, Por isso é difícil matá-la. Colocando ervas várias numa coelheira, os coelhos só comem as que não lhe fazem mal. Há ervas que matam os coelhos. As TVs e rádios mostram todos os dias as famílias venezuelanas que fogem do seu país, onde a fome e a falta de medicamentos é geral, devido às brutalidades do Presidente. Todos os anos morrem no mar Mediterrâneo milhares de pessoas que fogem dos seus países, africanos principalmente, em frágeis embarcações, devido as guerras e fomes que lá existem. Hoje há processos de “solidariedade” mas são poucos. Noutros tempos, os negros, em África, guerreavam-se com setas envenenadas para garantirem os territórios que habitavam. Hoje fazem-no com metralhadoras e explosivos. Em todos os movimentos de sobrevivência há sempre um “chefe” e a sobrevivência depende sempre da inteligência e habilidade desse “chefe”. Quando não existe um chefe os grupos que procuram sobrevivência ficam sujeitos a traficantes que se chamam “engajadores”. Assim, hoje, os refugiados que enfrentam as ondas no Mediterrâneo pagam alto preço aos engajadores na Turquia e na Líbia, principalmente. Os governos desses países dizem que exterminam os engajadores, mas, em concreto, nada fazem. Erdogan até recebeu de Merkel uma grossa quantia mas nada fez. Na Hungria o governo até manda vedar as fronteiras com arame farpado para impedir a entrada de refugiados. Mas os engajadores, aí como na fronteira do México com os EUA, têm manhas para ultrapassar todas as situações. A rendosa profissão de engajador já é muito antiga. Pelos anos 1920 a 1930, o colapso monetário em Portugal provocado pela implantação da 1.ª República, levou a situações de miséria e fome no País. Daí que muitos homens tenham procurado meios de sobrevivência noutros países (EUA, Canadá, Austrália, etc.). Um dos atingidos foi um tio meu (A), trolha e estucador de profissão. Ele e outros (Cs) da aldeia e arredores juntaram uns cobres para pagarem a um engajador lisboeta que os metesse clandestinamente num navio destinado aos EUA. Era um processo frequente, nesses tempos. Assim (A) e seus companheiros foram metidos dentro de uma pipa de vinho vazia, a qual tinha uma larga portinhola, por onde se podia entrar e sair. A pipa foi carregada num navio destinado aos EUA. De dia (A) e seus (Cs) viviam dentro da pipa. De noite saíam pela portinhola para se alimentarem e fazerem as suas necessidades sanitárias. Claro que o processo era do conhecimentos da marinhagem em conluio com o engajador, mas o comandante do navio nada sabia, pois se desembarcasse passageiros ilegais nos EUA e as autoridades “topassem”, podia ser preso e perderia o lugar. Por isso, noutros casos, quando o comandante do navio descobria um caso semelhante ao acima indicado, mandava atirar as pipas ao mar, morrendo todos os que tinha dentro. No caso do meu tio (A) aconteceu que o comandante descobriu. Assim, mandou sair (A) e (Cs) e avisou; Vocês não poderão desembarcar nos EUA. Só os vou deixar no porto X do norte do Brasil. Daí podem embarcar legalmente no navio Y para o Panamá que tem acordo de imigração com os EUA. Os EUA admitem todos os anos a imigração de Z pessoas residentes no Panamá. Os candidatos serão presentes ao embaixador dos EUA no Panamá e, se tiverem bom comportamento e profissão apropriada, poderão entrar nos EUA. Assim, ao fim de 1 ano, entrou nos EUA o meu tio (A). Na Venezuela como é que vivem os que por lá ficaram? O Tirano tabelou os bens alimentares e outros, obrigando os produtores e lojistas a vender abaixo do preço do custo, o que os levaria em breve à falência. Para sobreviverem têm de ocultar uma parte daquilo que produzem, ou que têm em armazém para venderem no “mercado negro”, também chamado “candonga”. Foi o que aconteceu em Portugal durante a 2.ª Guerra Mundial (1939-1945) e em Angola e Moçambique após a Independência. Em 1939 a 1945 em Portugal cada família tinha uma “caderneta de racionamento”, onde se indicavam as quantidades de arroz, açúcar, farinha, etc.) que a família podia comprar por mês, ao preço da tabela. Esses bens eram, em geral, metade dos que uma pessoa precisava. Por isso, o responsável da família tinha de comprar a diferença na “candonga”, em segredo. Desta amostra se vê bem as causas do êxodo das famílias venezuelanas para os países limítrofes. O Tirano usa todos os meios para manter a sua tirania: prende a “torto e a direito” os “candongueiros” que diz serem inimigos dele e do Povo e até acusa a Igreja Católica local de conivente com os “candongueiros” por ela revelar algumas das barbaridades que estão a ser cometidas. Igreja Católica que tem pedido assistência mundial de medicamentos e alimentos para as crianças da Venezuela. E o lado mais canhoto da Geringonça ainda tem a desfaçatez de defender os actos do Tirano. O desastre parece ser total, apesar das manigâncias monetárias do Tirano. É caso para se dizer “Abençoados sejam os “mansos” (os sofredores) porque será deles o Reino dos Céus”. E “Amaldiçoados sejam os Tiranos porque será deles as Profundezas dos Infernos”. Como é possível, meu Deus, um país riquíssimo, em petróleo e tudo o mais, estar reduzido à miséria! Só porque um Tirano e seus “capangas” conseguem manter-se no “poleiro”. E o Ocidente, nomeadamente os EUA, nada fazem para diminuir a tragédia. O Tirano herdou o poder de outro tirano, mas muito menos violento (Hugo Chávez), o tal que veio a Portugal dar um abraço ao seu “Irmão” José Sócrates como ele disse e fez. O tal que tinha sobre a secretária dele em Caracas duas belas estatuetas, uma de Lenine e outra de Jesus… O tal que mandou construir 2 navios nos estaleiros navais de Viana do Castelo, mas que a Venezuela nunca pagou… O tal que recebeu do “Irmão” Sócrates um milhão de pequenos computadores “Magalhães” que “falavam” “portonhol”, para as crianças venezuelanas aprenderem as contas de somar, subtrair, multiplicar e dividir, mas que se revelou tudo uma grande aldrabice (a língua usada no “Magalhães” foi “concebida” por um amigo francês do Sócrates, que não sabia sequer Português!). Depois o “Magalhães foi também distribuído às crianças da Primária e ao meu neto Lucas coube um. Mas, a Mãe do Lucas teve de lhe tirar das mãos tal instrumento porque, para somar 4+8 o usuário carregava nas teclas, os algarismos caíam do Céu e o resultado 12 aparecia no écran. Assim o Lucas nunca aprenderia sequer a fazer contas de somar.
Autor: Barreiros Martins
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13 outubro 2018