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Instalações Desportivas a mais ou a menos?

Esta semana, tive a oportunidade de participar no evento “Football Talks”, promovido pela FPF, no painel dedicado às instalações desportivas, com o título: “Infraestruturas: o desafio de ter onde jogar”. A pergunta de partida questionava sobre o facto de haver espaços a mais ou a menos para a prática desportiva.

Esta questão tem duas respostas possíveis, sim e não, e virão sempre da nossa perceção porque não existem levantamentos rigorosos sobre o que temos como oferta, a sua ocupação, estado de conservação, procuras satisfeitas e não satisfeitas.

A nível nacional, o último levantamento com dados confiáveis sobre as existências de instalações desportivas tem mais de 20 anos, mesmo com a legislação em vigor a indicar que a “Carta de Instalações Desportivas” é para se fazer. O SNID (Sistema Nacional de Informação Desportiva) tem um portal onde os detentores/operadores de “carregam” a informação, ou seja, e de “auto-alimentacão”, logo para as cerca de 10.000 instalações desportivas que se prevê que existam só temos dados sobre pouco mais de 7.000. Assim não vamos lá, sendo esta primeira etapa de planeamento decisiva para conhecer a oferta de instalações a nível nacional.

No entanto, a nível municipal, podem as autarquias, desde já, desenvolver “per si” uma metodologia que tenha como ponto de partida a definição prospetiva (da procura) de espaços desportivos, desenvolvendo um trabalho exaustivo que permita a projeção, a remodelação e a adaptação dos espaços desportivos locais às reais necessidades dos cidadãos no médio e longo prazo.

Após a caracterização das existências, o trabalho tem que partir de uma análise e contraposição entre a procura e a oferta, e sempre organizado em função de circunstâncias práticas e com o fim último de querer melhorar a qualidade de vida dos cidadãos nas suas mais variadas vertentes.

O excesso ou defeito da oferta de espaços desportivos continua, ainda hoje em Portugal e em muitos casos, a ser avaliada por indicadores estanques, quantitativos, e que nada dizem sobre as particularidades de cada comunidade, referimos em concreto a indicadores de entidades públicas de Planeamento da Administração do Território, do Conselho da Europa, UNESCO, etc., todos com índices de referência por metro quadrado e número de habitantes por instalação desportiva.

A construção e a remodelação dos espaços desportivos resultam quase na totalidade de decisões do lado da oferta ou simplesmente de uma boa vontade política, sem que sejam precedidas de um estudo das necessidades e das vontades da população da área de influência dos respetivos espaços. Urge ir ao encontro das necessidades dos cidadãos, já que são estes que dão utilidade final suficiente aos espaços, justificando a sua existência e consequentemente os seus grandes investimentos financeiros associados. Temos afinal Instalações Desportivas a mais ou a menos? Há que perguntar primeiro a todos e estudar depois, só assim não cometeremos tantos erros.

Não esquecer que o Desporto é ainda particularmente propício a estabelecer interligações com outros sectores da atividade económica como o Lazer e a Recreação, a Cultura e a Educação, a Saúde e o Turismo. Promover o investimento em espaços desportivos deverá significar sempre a promoção do seu carácter abrangente e polivalente.


Autor: Fernando Parente
DM

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9 setembro 2022