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Insensatez da guerra

1. Escrevia em 25 de fevereiro a Comissão Nacional Justiça e Paz: «O que até há algum tempo parecia impensável aconteceu. Assistimos a uma guerra de agressão na Europa e muitos descrevem a atual situação como a pior crise de segurança na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial. Parece que há quem não tenha ainda aprendido as lições da História. Tornam-se, por isso, oportunas e atuais as palavras de Pio XII na sua radiomensagem de 24 de agosto de 1939, quando estava iminente o início dessa guerra: É com a força da razão, não com a das armas, que a Justiça progride. E os impérios que não são fundados sobre a Justiça não são abençoados por Deus. A política emancipada da moral atraiçoa aqueles mesmos que a desejam. O perigo é iminente, mas ainda há tempo. Nada se perde com a paz. Tudo pode ser perdido com a guerra’. Na verdade, esta guerra vitima em especial o povo ucraniano, mas com ela todos perderão, até os que não estão diretamente envolvidos no conflito», diz a referida Comissão. E na aldeia global em que vivemos, nesta sociedade de interdependências, já lhe estamos a sofrer os efeitos, a começar pelo aumento dos preços. 3. A guerra é uma insensatez. Não receio afirmá-lo seja diante de quem for. O diálogo continua a ser a melhor forma de resolver os diferendos que surgem entre as pessoas e as nações. Não há como os principais responsáveis se sentarem, se ouvirem, refletirem, tomarem as decisões consideradas melhores e mais justas. Mas diálogo a sério. Não se dialoga apontando uma metralhadora à cabeça do interlocutor. Como se pode dialogar no meio de tanta barbaridade praticada? O diálogo não é a imposição da vontade de uma das partes. Dialogar é admitir que se não é dono da verdade total e que o outro também pode ter razão. O diálogo pode exigir cedências de ambas as partes. Para o diálogo entre as nações se criaram a Organização das Nações Unidas e os tribunais internacionais. Deixem-nos funcionar, escutem os seus apelos, respeitem as suas justas decisões. 4. Recordo Santiago (4, 1): «Donde vêm as guerras, donde vêm os conflitos que há entre vós? Não é precisamente das paixões que lutam nos vossos membros? Cobiçais e não possuís? Então matais. Invejais e não conseguis obter? Então combateis e fazeis guerra». As guerras nascem no coração das pessoas. Se este for apenas um músculo, insensível aos problemas e às dificuldades dos outros… Se o coração for um poço de egoísmo… 5. É imperioso educar para a paz. Para a sã convivência entre as pessoas. Para o respeito pelos legítimos direitos dos outros. Para o reconhecimento da dignidade dos outros, tratando-os como seres iguais e diferentes que são. Mostrar como a paz é possível. Como a paz é um bem merecedor que se lhe sacrifiquem egoísmos e ambições desmedidas. Educar com a palavra e com o exemplo. Tal educação principia na família, na forma como marido e mulher se falam e se tratam. Continua na escola, cuja missão não é apenas instruir. Na catequese. Em todos os níveis de vida social e comunitária. Se é tão bom viver em paz, entendermo-nos uns com os outros, falarmos uns com os outros, estendermos a mão uns aos outros, sorrirmos uns aos outros, porque havemos de fazer guerras e andar em guerras? 6. Uma pergunta que não posso deixar de fazer: com que consciência se avançou para guerra? Quando esta terminar, quem e como vai compensar as pessoas de tantos danos causados, se tal compensação for possível? Quem vai reconhecer os erros e responder por eles?
Autor: Silva Araújo
DM

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17 março 2022