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Igreja: os erros dos seus filhos e a caridade que realiza

A Igreja Católica conta actualmente com 1,2 bilião de fiéis, pelo que se erige, de longe, na maior instituição religiosa da humanidade. É também a mais antiga e, ao longo dos dois milénios da sua existência, espalhou não só a doutrina que Jesus Cristo ensinou a doze homens simples do seu povo, galileus na sua maioria, como expandiu por todos os sítios onde a deixaram agir com liberdade, muitas instituições que visam não só a catequese das pessoas, como também o seu bem-estar e a sua própria sobrevivência.

O exercício caritativo dos membros da Igreja é muitíssimo grande e muitíssimo amplo, diversificando-se por variadíssimas entidades onde se atendem as pessoas que necessitam de ajuda, quer física, quer moral, sem outro fim do que aplicar a caridade que Cristo nos ensinou.

Apesar disso, há quem, com um certo desplante e um irresponsável sentido de superioridade, afirme que a humanidade não necessita da caridade da Igreja, mas sim da filantropia dos homens. E é capaz de acrescentar que a Igreja se transformou num antro de poucas vergonhas, como se tem salientado nos últimos tempos com os abusos sexuais de menores por parte de alguns dos seus membros, nomeadamente, dos padres.

A autoridade eclesiástica não deixou de reconhecer tal tipo de actuações e tem procurado, com coragem e sentido de responsabilidade, atalhar tais comportamentos. E se eles escandalizam – e são de facto matéria de forte escândalo –, deve-se, em boa parte, àquilo que se espera da conduta dum sacerdote, que se supõe ser irrepreensível. E se o não é, o choque que provoca torna-se muito mais agudo e a surpresa muito mais desagradável e difícil de enfrentar.

Infelizmente, o fenómeno que tanto brado dá pela má conduta de alguns sacerdotes católicos, não é um caso isolado, ou exclusivo de tais clérigos.

Ele verifica-se, com muito mais abundância e menor motivo de escândalo, em numerosíssimas instituições da nossa sociedade, a começar no seio das próprias famílias naturais, ou em entidades de carácter educativo, desportivo, de diversão, ou mesmo noutras confissões religiosas, incluindo cristãs.

Tudo o que acabou de se dizer, não serve de tapume para os membros da Igreja que não souberam viver, como era sua obrigação, os mandamentos da castidade, mas apenas para não monopolizar nesta pequena parcela da humanidade e da própria Igreja, o que, como se anota com dor e pena, é uma realidade que se estende a todos os sectores da sociedade humana.

Não reduzamos, porém, a Igreja a isto, a esta pecha, que tanta atenção tem merecido aos últimos romanos pontífices, nomeadamente ao papa actual.

Graças a Deus, que ela pode apresentar muitas obras de autêntica caridade em todo o mundo, que envolvem um número assinalável dos seus membros, numa dedicação e esforço total de entrega. Demos alguns números. A Igreja Católica mantém:

Na Ásia: 1076 hospitais; 3.400 dispensários; 330 leprosarias; 1.685 asilos; 3.900 orfanatos; e 2960 jardins-de-infância.

Na África: 964 hospitais; 260 leprosarias; 650 asilos; 800 orfanatos; e 2.000 jardins-de-infância.

Na América: 1.900 hospitais; 5.400 dispensários; 50 leprosarias: 3.700 asilos; 2.500 orfanatos; e 4.200 jardins-de-infância;

Na Oceania: 170 hospitais; 180 dispensários; 1 leprosaria; 360 asilos; 60 orfanatos; e 90 jardins-de-infância.

Na Europa: 1.230 hospitais; 2.450 dispensários; 4 leprosarias, 7.970 asilos; e 2.370 jardins-de-infância.

Estes números deverão certamente fazer reflectir qualquer pessoa antes de emitir juízos gratuitos ou intencionalmente injustos. A Igreja é humilde como Cristo ensinou a todos nós.

Assim, quando lhe apontam uma nódoa. ou uma anomalia, é a primeira a aceitar a verdade e a corrigir quem erra, sempre com o rigor requerido pela gravidade da falta e caridade, lembrando que todos os homens são filhos de Deus e é como tal que devem ser tratados.

O arrependimento constitui uma atitude que Deus abençoa com a sua misericórdia paternal. Ou não observou Jesus que “há mais alegria nos céus por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de penitência” (Luc 15, 7)?


Autor: Pe. Rui Rosas da Silva
DM

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20 janeiro 2019