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Hospital de Braga: manter a PPP

Pode chegar-se à porta principal do Hospital de Braga, caminhando por uma alameda pedonal levemente inclinada que tem, plantados do lado direito, seis belíssimos exemplares de oliveiras da paz que saúdam em silêncio respeitoso os visitantes ou os doentes menos graves que escolhem este acesso.

Também a ladear esta alameda, há pendões que se “dirigem” a quem entra e a quem sai, com uma frase de grande expressividade e que é, só por si, reveladora da missão, dos valores e da visão que o Hospital de Braga tem para todos aqueles que têm que recorrer aos seus serviços.

Quando entrei pela primeira vez no Hospital de Braga, apercebi-me de imediato que alguma coisa de diferente devia acontecer por ali.Não “cheirava” a hospital e, no enorme “hall” do rés-do-chão, havia muita gente que passava e passeava com tranquilidade e sem atropelos, uns, doentes, a caminho das “consultas externas” e dos vários serviços, outros, pelas vestes que usavam, colaboradores e funcionários do hospital. Este é um “hall” que mais parece o “hall” de um hotel do que o “hall” de um hospital, até pela imagem que temos dos hospitais.

O meu primeiro contacto com as pessoas do atendimento foi fabuloso. Sempre com um sorriso, sempre prestáveis e eficientes, fizeram sempre aquilo que tinha que ser feito, trazendo para dentro do hospital o conceito de casa. Compreensão, eficiência, eficácia, vontade de resolver problemas e procura de soluções foram sempre a “chave” destes procedimentos.

Não sei se o método é comum a outros hospitais, mas no Hospital de Braga os doentes em consulta, para além da marcação em papel, são alertados por mensagens de telemóvel sobre o ato médico que terá lugar no dia “x”, às tantas horas. São pequenas mensagens do género: lembramos que tem consulta no dia 20 de fevereiro, às 10 horas... E prepare-se: na maior parte das situações, 10 horas são 10 horas e até pode acontecer ser chamado uns minutos mais cedo.

No Hospital de Braga, contatei com muitas médicas e médicos e muitas enfermeiras e enfermeiros. Da Dermatologia à Oncologia e à Cirurgia Plástica, todas e todos foram absolutamente dedicados e profissionais. Compreendem que os doentes são pessoas fragilizadas e inquietas e agem no sentido de diminuir e se possível eliminar essa fragilidade e essa inquietação.

É necessário pensar seriamente no valor acrescentado que algumas parcerias público-privadas trazem às pessoas e às comunidades locais. Se algumas parcerias público-privadas são uma completa inutilidade, não resultando daí qualquer vantagem para as pessoas e muito prejuízo para o Estado, há outras – e o Hospital de Braga é disso um excelente exemplo – que estão na origem da prestação de serviços de excelência, dando provas de que a sua manutenção nem sequer devia ser questionada.

Quando se fala em rever o estatuto do Hospital de Braga, fazendo-o eventualmente regressar à esfera exclusivamente pública, estou em crer, a acontecer isso, que se cometeria um erro gravíssimo.

Continuo a pensar que o sucesso ou o insucesso de qualquer organização deve-se às pessoas que nela trabalham. Pode ter-se a “maquinaria” e os equipamentos mais “topo de gama”, mas se as pessoas forem frias e indiferentes a organização está condenada ao insucesso.

Quem entra num hospital sente-se, pela própria natureza das coisas, extremamente fragilizado. Se ouvir um “ronco”, mais fragilizado fica. Se, pelo contrário, recebe um sorriso e é confortado e compreendido, sente-se de imediato “meio curado”. Um dos “segredos” do Hospital de Braga é precisamente este: as pessoas fragilizadas – os doentes que ali entram – têm sorrisos, têm compreensão e têm a competência de quem cuida delas. É assim que a “focalização no utente” e a “satisfação do utente” são as “credenciais” que fazem o do Hospital de Braga o melhor de Portugal!

Por isso, vamos lutar pela manutenção da parceria público-privada no Hospital de Braga. Há uma petição pública na “internet” que propõe isso mesmo.


Autor: Mário C. Martins
DM

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12 janeiro 2019