Os incêndios já fazem parte do nosso quotidiano estival, a ponto de cada português achar que é um especialista em protecção civil. Bem vistas as coisas, tendo em conta ao que temos assistido, alguém com mero bom senso até talvez nem fizesse assim tão má figura em alguns cargos...
A questão central é que, a cada ano, são tomadas medidas com as quais nos querem fazer crer que o problema vai ficar resolvido. A dura realidade mostra que tudo tem sido em vão, mesmo a estratégia de limpeza dos terrenos, que prometia ser a solução milagrosa para o mal dos incêndios.
As medidas vão continuar a falhar enquanto forem tomadas por quem acha que limpar o monte é o mesmo que aparar a relva num jardim. E que cortar a vegetação na floresta é semelhante a pintar uma casa: se não houver muita humidade, é capaz de durar uns anos. E que os caminhos florestais são autoestradas em terra batida.
Infelizmente, não. A vegetação está constantemente a crescer, sendo por vezes necessário cortá-la mais do que uma vez por ano. É uma luta inglória, até porque o tojo, as silvas e o fento não são plantas “fofinhas”. Muitas vezes não há caminhos de acesso ou estes estão obstruídos. Mesmo quando os proprietários sabem onde ficam os terrenos, o que nem sempre acontece porque o ancestral sistema de marcos é muito rudimentar, há matas rodeadas por outras com vegetação tão densa que não se consegue passar.
Ao mesmo tempo, os proprietários rurais têm sido tratados como delinquentes. Muitos deles são pessoas idosas, que têm as matas desde o tempo em que se vivia da terra. Como tal, tiveram vidas duras, com parcos recursos, que se traduzem em pensões de velhice com valores irrisórios.
Deixaram de limpar as suas pequenas propriedades porque envelheceram e não têm recursos económicos para pagar a quem o faça. Há, por isso, idosos de setenta, oitenta, noventa anos no monte, no limite das suas forças, a roçar mato. Alguém acha que um idoso quer ver arder as árvores que plantou ou viu crescer ao longo de anos a fio?
Ter propriedades florestais transformou-se num problema para os idosos e para os filhos que o vão herdar. Por isso, entre estes, há quem veja com bons olhos a hipótese de o Estado confiscar as terras. Tendo em conta que o Estado mostra diariamente que é um péssimo proprietário e um gestor ainda pior, esta é uma possibilidade que nos deve assustar. Se a situação agora é má, com esse cenário perspectiva-se a catástrofe.
Destaque
Há quem veja com bons olhos a hipótese de o Estado confiscar as terras. Tendo em conta que o Estado mostra diariamente que é um péssimo proprietário e um gestor ainda pior, esta é uma possibilidade que nos deve assustar.
Autor: Teresa Ribeiro